Cidade do México - Os órgãos defensores de estrangeiros ilegais se transformaram em peça-chave na busca de pistas sobre o paradeiro de imigrantes desaparecidos no México e em uma esperança para milhares de mães centro-americanas.

Uma delas, Ana Enamorado, perdeu seu filho em 2010 quando passava pelo estado de Jalisco, e encontrou seu paradeiro graças ao trabalho do Movimento Migrante Mesoamericano (MMM).

"Meu filho foi pego pelo crime organizado. Sabemos onde ele está, mas o problema é que não podemos ir lá porque é muito perigoso", disse à Agência Efe.

A coordenadora do MMM no México, Marta Sánchez Soler, explicou que, neste como em tantos outros casos de centro-americanos que desaparecem no território mexicano, o movimento realiza pesquisas para encontrar o paradeiro dos desaparecidos.

"Seguindo rastros como a última chamada, por exemplo, se a pessoa tem um telefone, um recibo de dinheiro. Com isso, seguimos as pistas em campo", declarou.

A ativista admitiu que a tarefa "não é fácil", mas dá resultados. Já conseguiram reunir muitas famílias ou restabelecer contato, "independentemente se desejam retornar a seu país ou não e assim a mãe pode descansar".

A caravana de mães centro-americanas, que todo ano organiza o MMM pelo México, terminou em 2012 com a localização de seis migrantes.

Sobre o filho de Ana Enamorado, a ativista mexicana afirmou que o caso foi encaminhado para a Procuradoria Geral da República (PGR).

"Estamos recorrendo a órgãos públicos porque não podemos mandar ninguém para lá por conta do perigo. Eles nos prometeram seguir com o caso", disse.

De acordo com Marta Sánchez Soler, as autoridades ficaram de dar "notícias, porque eles têm pistas claras como nome, endereço, telefone, tudo. Não vão atrás porque não fazem trabalho de campo, ficam somente com pesquisas de gabinete".

A mãe do jovem nascido em Honduras ainda não entende por que o filho é vítima do crime organizado. "Nossos filhos não vêm com a intenção de causar prejuízo a ninguém", assegurou.

Andrea González, também defensora desse tipo de situação no México, afirmou que os imigrantes ilegais se transformaram em presa fácil para as organizações criminosas, que os utilizam para "continuar realizando trabalhos ilícitos".

Em agosto de 2010, o massacre de 72 imigrantes ilegais em um sítio de San Fernando, no estado de Tamaulipas, não deixou dúvidas. Os migrantes foram assassinados por membros do cartel Zetas porque se negaram a colaborar com a organização.

O diretor-executivo da Anistia Internacional (AI) no México, Perseo Quiroz, destacou a necessidade de "mostrar que esses não são casos isolados, mas sistemáticos".

Esse é o objetivo de uma exposição fotográfica que o MMM e AI montaram no Centro Cultural da Espanha, no México, para mostrar que "a situação não mudou", e persistem a discriminação, a extorsão, o sequestro e o assassinato de migrantes que atravessam o país.

"Viagens invisíveis, migrantes no México: protejamos seus direitos", é o título da mostra que fica aberta ao público até janeiro de 2014 e foi montada com a ajuda de abrigos como Jesús el Buen Pastor, da cidade de Tapachula; La 72, em Tenosique; e Hermanos en el Camino, de Ciudad Ixtepec.

A Anistia Internacional critica a falta de apoio das autoridades de todas as instâncias no trabalho realizado em abrigos distribuídos em todo o país. Ativistas, sacerdotes e voluntários trabalham nessas casas para dar teto e comida a centenas de imigrantes ilegais, em sua maioria centro-americanos, durante o longo e tortuoso caminho em direção aos Estados Unidos na busca por melhores oportunidades de vida.

A organização humanitária estimula as autoridades a proteger os defensores dos imigrantes e a garantir a segurança dessas pessoas em seu trânsito pelo México. Além disso, pede, periodicamente, a investigação dos assassinatos para achar aos responsáveis e pôr fim à impunidade, assim como solicita procedimentos confiáveis de exumação dos restos mortais.

Tópicos: Crime, Imigração, México, América Latina