Napolitano afirma que não há dúvidas sobre renúncia de Berlusconi

Presidente italiano descartou que país fique com um vácuo de poder após a saída do primeiro-ministro

Roma – O presidente da República da Itália, Giorgio Napolitano, afirmou nesta quarta-feira que não há nenhum tipo de dúvida sobre a renúncia do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, uma vez o Parlamento da Itália aprove as primeiras reformas econômicas prometidas à União Europeia (UE).

Por meio de uma nota, o chefe do Estado descartou que na Itália ocorra um ‘prolongado período’ de inatividade governamental ou parlamentar, depois que a incerteza no mercado secundário levasse os bônus italianos para 10 anos a superar nesta quarta a barreira psicológica dos 7% de rentabilidade.

‘Não existe nenhuma dúvida sobre a decisão do presidente do Governo, Silvio Berlusconi, de apresentar sua renúncia do Executivo por ele presidido. Tal decisão será operacional com a aprovação no Parlamento da lei de orçamentos para 2012’, afirmou Napolitano.

‘São infundados os temores que pode ocorrer na Itália um prolongado período de inatividade governamental e parlamentar, sendo de qualquer maneira possível adotar, se for necessário, medidas de urgência’, acrescentou.

Napolitano justificou de modo explícito sua declaração oficial para enfrentar as ‘pressões dos mercados financeiros’ sobre os títulos de dívida pública italianos, que nesta quarta, disse, ‘atingiram níveis alarmantes’.

O presidente da República italiana explicou que a lei de orçamentos de 2012, que vai incluir a emenda com as primeiras reformas econômicas aprovadas pelo Executivo, será ratificada pelo Parlamento ‘nos próximos dias’, após Berlusconi formalizar sua renúncia.

‘Em um curto prazo de tempo será formado um novo Governo que possa, com a confiança do Parlamento, tomar qualquer decisão necessária para dar seguimento ao início de uma campanha eleitoral que transcorra no prazo mais breve possível’, acrescentou.

Após constatar ontem que havia perdido a maioria absoluta na Câmara Baixa, Berlusconi anunciou seu compromisso de renunciar, mas a promessa parece não ter sido suficiente para acalmar os mercados. Nesta quarta o prêmio de risco da dívida italiana voltou a disparar.

O juro dos bônus italianos para dez anos chegou a atingir no mercado secundário 7,5%, superando o nível de 7% que obrigou a Irlanda, a Grécia e Portugal a pedir o resgate econômico às autoridades europeias.