Mulheres exigem mais protagonismo na luta contra a corrupção

Delegada indiana Sheela Anish disse que a pouca representatividade das mulheres em instâncias políticas reduz seu papel na luta contra a corrupção

Brasília – Grupos de mulheres que participam da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção realizada em Brasília exigiram nesta quinta-feira mais acesso a posições de poder para somar-se de uma maneira mais ativa aos esforços para limpar a gestão pública.

No segundo dia do evento, promovido pela organização Transparência Internacional (TI), a delegada indiana Sheela Anish disse que a pouca representatividade das mulheres em governos, Parlamentos e outras instâncias políticas reduz seu papel na luta contra a corrupção.

”Por essa razão, a corrupção está mais associada aos homens, mas as consequências disso não afetam somente a eles, mas a toda a sociedade e especialmente as mulheres, que ainda lutam por seus direitos mais básicos em muitos países do mundo”, declarou Sheela, da Federação Internacional de Mulheres Advogadas.

Essa posição foi respaldada pela nicaraguense Haydee Rodríguez, da União de Cooperativas de Mulheres de Las Brumas, que ressaltou que a participação feminina na sociedade deve ampliar-se também nas Prefeituras, assembléias regionais e corpos de segurança, que ”são outros focos de corrupção” em muitos países.

Durante o dia, foram analisados diversos aspectos da corrupção, como sua incidência em assuntos ambientais, no esporte e em outros âmbitos da sociedade.

A 15ª Conferência Internacional Anticorrupção (IACC, na sigla em inglês) foi aberta nesta quarta-feira e acontecerá na capital federal até o próximo sábado.

Entre as dezenas de oradores anunciados para os quatro dias da conferência estão a jornalista iemenita Tawakkol Karman, prêmio Nobel da Paz de 2011, e o ex-juiz espanhol Baltazar Garzón.