Morar perto de trânsito pesado aumenta risco de demência

Segundo o estudo, o aumento no risco do desenvolvimento de demência foi 4% maior para pessoas que vivem entre 50 e 100 m de grandes focos de trânsito

Londres- Pessoas que vivem perto de vias congestionadas de trânsito enfrentam maior risco de desenvolver demência do que aqueles que vivem longe delas, possivelmente por causa de poluentes que se alojam no cérebro via corrente sanguínea, de acordo com pesquisadores no Canadá.

Um estudo publicado no jornal médico The Lancet descobriu que pessoas que vivem dentro de 50 metros de vias de alto congestionamento tinham uma chance 7 por cento maior de desenvolver demência, comparado com os que vivem a mais de 300 metros de vias movimentadas.

“Poluentes no ar podem chegar na corrente sanguínea e levar a inflamações, as quais estão ligadas a doenças cardiovasculares e possivelmente outras condições, como diabetes. Este estudo sugere que poluentes no ar que podem chegar ao cérebro via corrente sanguínea podem levar a problemas neurológicos”, disse Ray Copes, um especialista ambiental e de saúde ocupacional da Public Health Ontario (PHO), que conduziu o estudo junto a estudantes do Instituto de Ciências Clínicas de Avaliação, do Canadá.

Demência é causada por doenças cerebrais, mais comumente a doença de Alzheimer, resultado da perda de células cerebrais e que afeta a memória, a cognição, o comportamento, as capacidades de orientação e a capacidade de se realizar atividades do dia a dia.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) dizem que o número de pessoas com demência em 2015 chegou a 47,5 milhões, e o total está crescendo rapidamente à medida que a expectativa de vida aumenta e as sociedades envelhecem.

A condição incurável é uma das principais causas de incapacitação e dependência de idosos, e está começando a superar as doenças cardíacas como causa de morte em alguns países desenvolvidos.

Especialistas independentes disseram que o estudo canadense tem implicações importantes para a saúde pública em todo o mundo.

Tom Dening, do Centro de Demência e Idade Avançada da Universidade de Nottingham, disse que as descobertas eram “interessantes e provocadoras”.

“É improvável que Ontario tenha a prior qualidade do ar do mundo, então os riscos podem ser ainda maiores em cidades que estão habitualmente envoltas em fumaça de poluição”, disse ele.

A equipe analisou registros de mais de 6,5 milhões de residentes de Ontario com idades entre 20 e 85 anos e descobriu 243.611 casos de demência entre 2001 e 2012.

Eles então mapearam a proximidade de moradores a grandes vias utilizando códigos postais.

O aumento no risco do desenvolvimento de demência foi 4 por cento maior para pessoas que vivem entre 50 e 100 metros de grandes focos de trânsito, e de 2 por cento para os que vivem de 101 a 200 metros. A mais de 200 metros, o risco elevado se dissipa.

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