Moradores de Berlim defendem cidade multicultural após ataque

Os estrangeiros representam quase 20% da população de 3,6 milhões de Berlim, com cerca de 48.000 imigrantes que chegaram em 2015

Berlim – Moradores de Berlim fizeram um alerta nesta terça-feira contra julgamentos precipitados sobre as pessoas que pedem asilo, após um paquistanês de 23 anos ter sido preso em conexão com um ataque com caminhão em uma feira de Natal que matou 12 pessoas.

Oliver Horn, um arquiteto alemão, colocou um cartaz em francês ao lado de uma pilha de flores perto do local do ataque em Berlim, em que se lia “Même pas peur” (sem medo), um slogan que foi usado para mostrar solidariedade após os ataques a Paris no ano passado.

“Nós não temos que ter medo, só temos que continuar”, disse Horn, perto da igreja Kaiser Wilhelm Memorial, um marco de Berlim que foi bombardeado na Segunda Guerra Mundial e ficou em ruínas, tornando-se um monumento para paz e reconciliação.

“Tenho medo que as pessoas se tornem ainda mais intolerantes com toda esta questão dos requerentes de asilo na Alemanha”, acrescentou.

O ministro do Interior da Alemanha disse que o suspeito, que negou envolvimento, era um imigrante que provavelmente veio do Paquistão e cujo pedido de asilo não havia sido concluído. Ele não estava em nenhum banco de dados de supostos militantes.

Mas a polícia mais tarde questionou se o homem preso era o agressor, dizendo ser possível que o verdadeiro responsável ainda esteja em fuga.

Os membros do partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD), que viu seu apoio crescer após um fluxo de quase 900 mil imigrantes no ano passado, foram rápidos em culpar a política de asilo da chanceler Angela Merkel pelo ataque.

“Não estou dizendo que essas mortes são culpa da sra. Merkel, mas há muitas centenas de milhares de imigrantes ilegais neste país, incluindo muitos jovens que são potencialmente violentos”, disse o líder do partido, Georg Pazderski, aos repórteres depois de assinar um livro de condolências na igerja próxima ao ataque.

Anselm Lange, chefe do conselho paroquial da igreja Kaiser Wilhelm Memorial, advertiu contra os julgamentos precipitados: “A coexistência pacífica é uma planta delicada que precisa ser cuidada, especialmente em tempos difíceis como este”.

Os estrangeiros representam quase 20 por cento da população de 3,6 milhões de Berlim, com cerca de 48.000 imigrantes que se deslocaram para a cidade em 2015, incluindo 11.500 da Síria.

“Por mais difícil que seja a situação. Berlim não pode ser Berlim sem a coabitação pacífica de pessoas de todas as nações, religiões e todos os modos de vida”, disse o prefeito Michael Mueller em entrevista coletiva.