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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Monotrilho fracassou em Dubai, Las Vegas e Johannesburgo

Pesquisador da USP diz que sistema só funciona para conexão com aeroportos ou em parques de diversão

São Paulo – Os monotrilhos só geram prejuízo nas cidades onde foram construídos, segundo o pesquisador Adalberto Maluf Filho, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), que escreve uma tese de mestrado sobre monotrilhos. Maluf, que trabalhou na elaboração de políticas públicas nas secretarias de Relações Internacionais e do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, afirma que só as empresas que fornecem os trens e os equipamentos ganham com os monotrilhos. A única solução para aumentar a mobilidade na capital paulista passaria necessariamente por um grande investimento em corredores para ônibus rápidos.

Dubai, nos Emirados Árabes, foi o único local que construiu todo o monotrilho como inicialmente projetado. Foram feitas duas linhas, uma de 54 km e outra de 5 km. A maior deveria custar 3,38 bilhões de dólares e transportar 1,2 milhão de pessoas por dia. No entanto, saiu por 7,6 bilhões e só leva em média 66.000 pessoas. O menor custaria 381 milhões, mas consumiu 1,1 bilhão de dólares. Com demanda inicialmente prevista em 40.000 passageiros por dia, serve para apenas 600 pessoas. Como não atingiu as metas, o governo é obrigado a cobrir o prejuízo do sistema.

Em Kuala Lumpur, na Malásia, a japonesa Hitachi deveria executar o projeto, mas desistiu por falta de fontes de financiamento. Empresas da Malásia decidiram levar adiante a construção, mas finalizaram apenas 8 dos 77 km planejados. No dia da inauguração, aconteceu o primeiro acidente. Parte da carroceria de um trem se soltou e atingiu um pedestre. Os problemas técnicos não pararam por aí. Pneus estouram com frequência e deixam os passageiros na mão. Em 2006, com apenas oito meses de monotrilho em operação, a empresa responsável faliu. O sistema acabou estatizado, e o governo assumiu um prejuízo de 266 milhões de dólares.

Também em 2006, o mesmo consórcio responsável pela construção do monotrilho da Malásia se comprometeu a fazer outro de 45 km na África do Sul. A linha uniria a região de Soweto ao centro da Johannesburgo e ficaria pronta antes da Copa de 2010. Custaria 1,7 bilhão de dólares e transportaria 1,5 milhão de pessoas a cada dia. À medida que as autoridades locais perceberam que o custo era subestimado e a utilização do sistema era exagerada, o projeto foi abandonado.


Já a cidade americana Las Vegas tinha um ambicioso projeto para a construção de monotrilhos. O primeiro trecho, com 6 km, foi inaugurado em 1995 e liga hotéis, cassinos, espaços de convenções e o centro financeiro. Como a demanda foi menor do que a estimada e a linha gerava um prejuízo diário de 70.000 dólares, a segunda e a terceira fase de expansão foram abandonadas e substituídas por corredores de ônibus rápidos.

A também americana Seattle aprovou em referendo a construção de cinco linhas de monotrilho em 1997. Finalizado o projeto, a população recebeu a notícia que a primeira linha custaria 2 bilhões de dólares e outros 9 bilhões teriam de ser investidos na aquisição dos trens. O monotrilho nunca saiu do papel e foi definitivamente enterrado em um novo referendo realizado em 2005. Um pequeno monotrilho havia sido construído em 1962 na cidade para integrar a região central a áreas mais ricas. A degradação provocada pela obra foi enorme. A linha é margeada por lojas fechadas, estacionamentos e terrenos abandonados.

Segundo Adalberto Maluf, os únicos exemplos de monotrilhos bem-sucedidos são os das cidades japonesas de Tóquio e Osaka. Os dois são responsáveis pela ligação das cidades a seus aeroportos com um alto grau de confiabilidade. Além disso, monotrilhos costumam fazer bastante sucesso em parques de diversões, como a Disneylândia da Califórnia. Sinal de que esse tipo de trem agrada a um público infanto-juvenil – mas não a quem precisa ir e vir do trabalho com rapidez e conforto.