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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

México investiga origem de explosão em fábrica de fogos

Pela manhã, as autoridades contabilizaram 31 mortos, mas após a morte de uma mulher, ferida, o número de vítimas fatais subiu para 32

O mercado especializado em fogos de artifício de Tulpetec, o maior do México, amanheceu nesta quarta-feira coberto de cinzas após a forte explosão que matou pelo menos 32 pessoas e deixou 60 feridas, enquanto as autoridades lutavam para identificar as vítimas e explicar as causas da tragédia.

A explosão ocorreu às 14H50 locais (18H50 Brasília) de terça-feira no mercado de fogos conhecido como San Pablito, que estava lotado devido às festas de final de ano.

Centenas de policiais patrulhavam a área, enquanto as autoridades procuravam 12 pessoas que seguiam desaparecidas e tentavam identificar os corpos.

Pela manhã, as autoridades contabilizaram 31 mortos, mas após a morte de uma mulher, ferida, o número de vítimas fatais subiu para 32, entre as quais oito menores.

Dezoito corpos já foram reconhecidos pelos familiares, disse em coletiva de imprensa Jesús Manzur, secretário de governo do estado do México, ao qual pertence Tultepec.

A identificação dos outros 14 cadáveres pode levar “dias ou semanas”, advertiu o procurador do estado, Alejandro Gómez, ao explicar que “em vista do nível de carbonização” dos corpos, será preciso obter um perfil genético.

Segundo Manzur, ainda há 59 feridos, dos quais 46 estão hospitalizados.

Muitos estão em tratamento intensivo, com queimaduras de diferentes graus, mas apenas cinco deles se encontram em “estado de gravidade e com risco de vida”, segundo as autoridades.

Nesta terça-feira, as autoridades contabilizaram 72 feridos e destacaram que entre eles havia três menores de idade com queimaduras graves que seriam transferidos a um hospital de Galveston, nos Estados Unidos, especializado no tratamento de queimados.

Em choque

“Visitem-nos! Abrimos todos os dias do ano. Contamos com todas as medidas de segurança”, diz um grande letreiro na entrada do mercado.

Mas nesta quarta-feira, as mais de 300 barracadas destruídas estavam isoladas para o trabalho dos agentes da polícia e socorristas com uma fita amarela com a inscrição “Proibida a passagem”.

Dezenas de peritos esquadrinhavam os escombros e grupos de trabalhadores removiam os destroços.

Um par de ambulâncias e dois carros de bombeiros foram enviados ao local. Também chegaram homens do exército, a autoridade encarregada de entregar as permissões de venda de fogos de artifício.

O presidente Enrique Peña Nieto lamentou os fatos em um ato público e pediu um minuto de silêncio, enquanto os moradores das proximidades do mercado, ainda chocados, contaram suas impressões à AFP.

“Pensei que a minha casa tivesse caído”, disse, aliviado, Artemio Aguilar, enquanto recolhia pedaços de fogos na erva daninha que cerca sua casa simples.

Luis Hernández, um jovem de 26 anos que desde os 12 trabalha com fogos de artifício ao lado do mercado, achava que não sobreviveria.

“As pessoas corriam, as crianças gritavam, havia muita gente queimada que caminhava sem saber o que fazer e nós tampouco sabíamos o que fazer. Tínhamos medo de que seguissem as explosões”, contou com o olhar fixo nas ruínas incendiadas.

A explosão foi registrada na terça-feira à tarde, num momento de grande movimentação em que havia grande atividade, com pessoas comprando fogos de artifício para as festas de final de ano.

Segundo as autoridades, 26 pessoas morreram no local e cinco em hospitais, enquanto que várias casas e carros próximos da área foram danificados pela onda expansiva.

Causas indeterminadas

A Procuradoria Geral informou ter iniciado uma investigação para determinar as causas do acidente, que provocou “seis explosões de pirotecnia”.

Mas segundo Gómez, as causas da tragédia ainda não foram esclarecidas.

“Não tenho, neste momento, uma hipótese (…) Nossa prioridade tem sido atender os feridos, o levantamento dos corpos e atender a emergência”, afirmou.

Alguns moradores de Tultepec disseram à AFP que, aparentemente, alguém deixou cair um fogo de artifício com as dimensões de uma bola de tênis e que, ao ser aceso, ilumina o céu com círculos coloridos.

Outra hipótese é que um foguete acendeu em um local, provocando uma reação em cadeia.

Esta última teoria “não pudemos corroborar porque o local onde isto pode ter ocorrido, infelizmente a pessoa que atendia este local é um dos mortos”, disse Gómez.

Segundo o funcionário, especialistas estaduais e federais realizarão várias perícias, entre elas de criminalística de campo, fotografia forense e perícia de acidentes, incêndios e explosivos.

Infelizmente, este mercado já viveu anos atrás este incidente.

Em 15 de setembro de 2005, um incêndio e explosões destruíram o San Pablito. No ano seguinte, outro acidente destruiu mais de 200 barracas.