Um tumultuado 2017 à frente

Esta quinta-feira deve ser um bom dia para a chanceler alemã Angela Merkel. Ela visitará Luxemburgo e Bruxelas, onde deve ser homenageada por duas universidades por “esforços diplomáticos e políticos para desenvolver a força política da Europa”. Enquanto isso, será divulgado o PIB da Alemanha em 2016, que deve mostrar um avanço de 1,8% na economia – o maior desde 2011.

Uma taxa de desemprego em 6% – um recorde de mínima – e uma melhora no sentimento empresarial são alguns dos indicadores que mostram o avanço da economia alemã em 2016. Apesar disso, por detrás da aparente agenda de boas notícias desta quinta-feira, 2017 é um ano repleto de incertezas e problemas para a mais poderosa líder europeia.

O ano de 2016 terminou com o atentado em um mercado de Natal em Berlim que deixou 12 mortos e 48 feridos – foi o maior desde a reunificação das Alemanhas, em 1990. O autor do atentado, o tunisiano Anis Amri, escapou do país e só foi morto quatro dias depois, na Itália. O jovem de 24 anos chegou à Alemanha na onda dos 890.000 refugiados que entraram no país em 2015, graças à política de “portas abertas” de Merkel.

O caso manchou a imagem da chanceler e fortaleceu o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha em um dos momentos mais críticos para ela. Merkel tem eleições no segundo semestre. Até lá, especialistas acreditam que as negociações da saída do Reino Unido da União Europeia devem prejudicar a economia alemã ao longo de 2017. Para economistas, o crescimento de 1,8% em 2016 foi algo pontual e não um sinal de que a economia do país está forte. Portanto, convém aproveitar os waffles e chocolates belgas nesta quinta-feira. A vida vai ser dura a partir de amanhã.