López Obrador pede anulação das eleições mexicanas

A esquerda mexicana apresentou às autoridades eleitorais nesta quinta-feira um recurso para invalidar o pleito alegando que houve compra de votos

México – A esquerda mexicana apresentou às autoridades eleitorais nesta quinta-feira um recurso de insatisfação para invalidar e repetir o pleito de 1º de julho, pois assegura ter “centenas de provas” de que o processo não foi limpo.

“A distorção que significou a compra de votos não permite dar certeza a nenhum resultado nem ao processo eleitoral em seu conjunto”, disse em entrevista coletiva na capital mexicana o líder da esquerda do país, Andrés Manuel López Obrador.

López Obrador indicou que o Partido Revolucionário Institucional (PRI), declarado vencedor do pleito segundo os resultados oficiais, teria comprado cinco de milhões de votos e assegurou que em “eleições livres” a maioria destes cidadãos “não teria votado em Enrique Peña Nieto”, o candidato do PRI.

As autoridades eleitorais disseram que o vencedor das eleições presidenciais foi Peña Nieto, com 38,21% dos votos, seguido de López Obrador, com 31,59%.

Os dados estão pendentes das impugnações que têm de ser resolvidas pelos tribunais, que antes de 6 de setembro devem proclamar o presidente eleito.

López Obrador, que mostrou aos jornalistas algumas cédulas de votação supostamente marcadas de antemão pelo PRI, fez uma chamada aos mexicanos para que “a Constituição não seja violada impunemente” e assegurou que não permitirá “que a corrupção domine a vida nacional”.

Além disso, o esquerdista anunciou que na próxima semana divulgará “o plano nacional para a defesa da democracia e da dignidade do México”, do qual não precisou detalhes, mas esclareceu que em momento algum irá participar de ações violentas.

Nas eleições presidenciais de 2006, nas quais também foi candidato presidencial, López Obrador não aceitou os resultados e organizou uma série de mobilizações populares que durante várias semanas ocupou o passeio da Reforma, uma das principais avenidas da capital.

“Tudo o que faremos será em estrito apego a nossos direitos cidadãos recolhidos na Constituição. Reitero que sempre atuaremos pela via pacífica, não daremos nenhum pretexto para que os violentos nos acusem de violentos”, explicou.


O esquerdista assegurou que o “julgamento de insatisfação” apresentado aos tribunais eleitorais se ampara no artigo 41 da Constituição, “que estabelece que as eleições devem ser livres e autênticas”.

Jaime Cárdenas, advogado da equipe legal de López Obrador, explicou que o julgamento de insatisfação, levado nesta mesma noite ao Instituto Federal Eleitoral (IFE), será transferido à Sala Superior do Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF).

Este tribunal estudará as provas apresentadas pelo partido e terá de ditar uma sentença sobre a validade ou não do processo eleitoral antes de 6 de setembro.

Os representantes da esquerda se apresentaram perante o IFE com diversos documentos que foram transportados em cinco veículos, incluindo testemunhos, vídeos, atas e cupons de supermercado supostamente dados pelo PRI em troca de votos.

Antes de entregar os documentos, representantes da esquerda falaram com os jornalistas na sede do IFE cercados por camisetas, objetos de campanha e caixas dos documentos que respaldam seu pedido.

“Nós estamos convencidos, devido à quantidade de provas que estamos apresentando e à contundência dos argumentos, que o tribunal deverá invalidar este processo eleitoral e convocar eleições extraordinárias”, explicou Cárdenas.

Alguns dos aspectos denunciados pela coalizão de esquerda são que o PRI ultrapassou o teto de despesa de campanha e adquiriu indevidamente tempo em rádio e televisão para transmitir pesquisas como propaganda eleitoral.

A equipe de López Obrador também diz que o PRI manipulou as enquetes para confundir a opinião pública, comprou votos e teve estruturas paralelas e ilícitas de financiamento.

Minutos depois do comparecimento de López Obrador, o presidente do PRI, Pedro Joaquín Coldwell, se dirigiu aos jornalistas para qualificar o pleito como “a eleição mais equitativa” da história do país e acusar López Obrador de ser um “mau perdedor”.

“As preferências políticas de milhões de eleitores não podem ser invalidadas por uma atitude que resiste a reconhecer a verdade jurídica e a realidade política do México”, afirmou.

O dirigente do partido acrescentou que o PRI rá aos tribunais eleitorais “não só para defender a legalidade deste processo eleitoral” e o “triunfo legítimo” do PRI, mas também para defender o voto dos milhões de mexicanos que exerceram seu direito, o que López Obrador “tenta anular”.