Lavrov adverte contra intenção de mudar regime na Coreia do Norte

Ministro russo afirmou que apresentará sua proposta para diminuir a tensão na região ao Conselho de Segurança que se reúne hoje em Nova York

Moscou – O ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, advertiu nesta quarta-feira que o programa nuclear norte-coreano não deve ser usado como pretexto para tentar mudar o regime na Coreia do Norte.

“O objetivo marcado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) consiste na desnuclearização de toda a Península da Coreia e não deve ser usado como pretexto para tentar mudar o regime na Coreia do Norte”, disse Lavrov ao término de uma reunião com o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit.

Ele afirmou que esta é a postura comum da Rússia e da China e adiantou que os dois países apresentarão a sua proposta para diminuir a tensão na região ao Conselho de Segurança que se reúne hoje em Nova York.

A iniciativa – pactuada ontem em Moscou pelos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping – prevê o congelamento simultâneo do programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, e as manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

A proposta pede que o regime em Pyongyang cumpra rigidamente as resoluções do Conselho de Segurança que proíbem os testes de mísseis e armas nucleares, e, ao mesmo tempo, pede aos Estados Unidos que abandone os planos de desdobrar o seu escudo antimísseis no sudeste da Ásia.

O regime de Kim Jong-un anunciou esta terça-feira o lançamento do seu primeiro míssil balístico intercontinental, o Hwasong-14, que alcançou uma altura máxima de 2.802 quilômetros e percorreu 933 quilômetros.

No entanto, o Ministério de Defesa da Rússia minimizou o tamanho do problema, ao assegurar que o míssil norte-coreano não era balístico, mas de médio alcance.

Segundo o governo russo, os parâmetros de voo do projétil indicam que o míssil era de médio alcance: atingiu uma altura de 535 quilômetros, percorreu cerca de 510 quilômetros e caiu na parte central de mar do Japão

Este assunto será tratado por Putin e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima sexta em Hamburgo, na Alemanha, durante a Cúpula do G20.

Trump, cuja Administração insinuou a possibilidade de ataques preventivos contra a Coreia do Norte, expressou confiança em que a China tome as rédeas do assunto e acabe “com esse absurdo de uma vez por todas”.

O teste, o 11º desde o começo do ano, foi feito pouco depois de Trump receber em Washington o novo presidente sul-coreano, Moon Jae-in.