Juiz canadense é investigado por humilhar vítima de estupro

Em 2014, Camp foi responsável por uma denúncia de estupro feita pela própria vítima - agredida sobre a pia de um banheiro durante uma festa universitária.

São Paulo – Depois da notícia, semana passada, sobre a humilhação sofrida por uma vítima de estupro frente a um juiz gaúcho em 2014, vem à tona agora uma história semelhante – do mesmo ano, inclusive -, no Canadá.

As ofensas em 2014 foram tão graves que a Justiça do país está atualmente decidindo, através de investigações do Conselho Judiciário, se o magistrado de 64 anos, Robin Camp, vai ou não ser autorizado a continuar exercendo a função.

Em 2014, Camp foi responsável por uma denúncia de estupro feita pela própria vítima – agredida sobre a pia de um banheiro durante uma festa universitária.

“Por que você não manteve os joelhos juntos?”, questionou Camp. Mais adiante, ainda declarou que “as jovens mulheres querem fazer sexo, principalmente quando estão bêbadas” e que “sexo e dor às vezes vêm juntos, e isso não é necessariamente uma coisa ruim”.

O juiz absolveu o acusado, Scott Wagar. “Eu quero dizer aos seus amigos – seus amigos homens – que eles têm de ser muito mais delicados com as mulheres”, disse Camp ao jovem.

“Eles têm de ser mais pacientes. E têm de ser muito cuidadosos. Para protegerem a si mesmos, eles têm de ser muito cuidadosos”. Mais adiante, decisão foi anulada – e Wagar está atualmente passando por um novo julgamento.

Agora, em seu próprio julgamento, o juiz se defende alegando não haver recebido treinamento apropriado, na época, para casos de assédio sexual. “Meus colegas sabem que meu conhecimento da lei canadense era mínima. Era quase inexistente. Por favor, lembrem-se que eu não estava neste país durante os anos 1960, 70 e 80”, disse, na última sexta (9). Robin Camp nasceu na África do Sul.

Depois de passar por um treinamento para aprimorar seu “entendimento da lei, do contexto social da violência sexual e do impacto psicológico do ataque sexual”, Camp pediu desculpas à vítima. “Eu fui rude e grotesco”, ele disse, além de declarar querer que “isso nunca tivesse acontecido.”

A vítima também teve voz no contexto das investigações. “Ele me fez odiar a mim mesma, e sentir como se eu tivesse que ter feito algo… Como se eu fosse alguma espécie de prostituta”, disse.