Irã sinaliza disposição para retomar diálogo nuclear

Segundo o porta-voz da chancelaria, reconhecimento dos "direitos da nação iraniana" facilitaria a cooperação entre o país e o grupo

Teerã – Irã está disposto a retomar a negociação em matéria nuclear com o Grupo 5+1 sobre a base dos “acordos prévios”, segundo declarou nesta terça-feira em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast.

Segundo Mehmanparast, o reconhecimento dos “direitos da nação iraniana” facilitaria o caminho para uma posterior cooperação entre Irã e o Grupo, formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China), além da Alemanha.

Em qualquer caso, insistiu que “o reconhecimento do direito da República Islâmica (do Irã) ao acesso e uso dos conhecimentos nucleares seria a melhor ação para preparar o terreno frente uma futura cooperação” e, também qualificou Mehmanparast as sanções do Conselho de Segurança da ONU ao Irã como “ilegais e ilógicas, além de unilaterais e extrajudiciárias”.

Previamente, em reuniões com os governantes da Rússia e Cazaquistão no mês passado, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou sua disposição a retomar o diálogo com o grupo 5+1.

Irã e os países do Grupo 5+1 realizaram três rodadas de negociações em Istambul em janeiro passado.

Estados Unidos e outras potências acusaram o Irã de encobrir com seu programa nuclear civil e de uso pacífico outro de tipo militar, o que Teerã nega.

No domingo passado, em Baku, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, se mostrou pessimista sobre as negociações nucleares com Ocidente em seu atual formato, apontando que se transformaram em um mero instrumento de pressão sobre Teerã.

Larijani, que estava de visita no Azerbaijão, ressaltou que, enquanto as potências ocidentais mantenham sua atual postura, “será difícil conseguir algum resultado durante as negociações”.

O alto cargo iraniano considerou que “já terminou a era na qual os americanos falavam de uma posição de força”.