Governo nega interferência na negociação de venda da Delta

“Em relação às negociações sobre a mudança do controle da Delta Construção, o governo federal reitera que não interfere em operações privadas”

Brasília – O Palácio do Planalto negou hoje (11) qualquer interferência sobre a negociação de venda da Delta Construção pela holding J&F. A operação foi anunciada na última quarta-feira (9). Em nota, o governo declara que “não interfere em operações privadas”.

“Em relação às negociações sobre a mudança do controle da Delta Construção, o governo federal reitera que não interfere em operações privadas”, diz o texto, divulgado no começo da tarde pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

A Delta, que atua em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pode ser investigada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, por causa das relações da construtora com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suspeito de explorar jogos ilegais.

Ontem (10), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acionista e financiador do Grupo JBS, controlado pela J&F, também negou qualquer influência sobre a negociação entre a holding e a construtora.

“A iniciativa do negócio partiu exclusivamente da holding da família controladora e é uma decisão privada de natureza empresarial, que não depende da anuência do BNDES e sobre a qual a instituição não foi consultada. Caso seja concretizada a venda, o BNDES não se tornará sócio da construtora, já que é acionista apenas da JBS, empresa do setor de proteína animal”, informou o banco.

Na nota de hoje, o Palácio do Planalto acrescenta que a Delta está sendo investigada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e que pode ter contratos suspensos caso seja considerada inidônea. “O governo alerta que está em curso na Controladoria-Geral da União processo de decretação de inidoneidade da Delta Construção. Caso a CGU conclua pela condenação, a empresa estará impedida de ser contratada pela administração pública, nos termos da Lei 8.666 de 1993, com consequências econômicas presentes e futuras”, de acordo com a nota.