Governo dos EUA investiga Polícia de Chicago por racismo

A investigação é semelhante às realizadas anteriormente nos Departamentos de Polícia de Ferguson e Baltimore

Washington – O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira a abertura de uma investigação sobre a Polícia de Chicago para determinar se houve racismo e uso excessivo da força no caso do jovem negro Laquan McDonald, morto por policiais há mais de um ano.

“Estou aqui hoje para anunciar que o Departamento de Justiça abriu uma investigação para averiguar se o Departamento de Polícia de Chicago incorreu em uma violação da Constituição e da lei”, disse a procuradora-geral, Loretta Lynch, em entrevista coletiva em Washington.

A investigação é semelhante às realizadas anteriormente nos Departamentos de Polícia de Ferguson (Missouri) e Baltimore (Maryland), onde outros cidadãos negros foram atingidos por agentes da corporação.

“Vamos examinar questões relacionadas a utilização da força, incluído o uso excessivo da força letal e a disparidade de seu uso em função de características étnicas ou outras diferenças”, detalhou Loretta, que prometeu que a investigação ajudará a restaurar os laços entre a polícia e a comunidade.

O Departamento de Lynch tem autoridade para obrigar às autoridades locais a executar mudanças e, caso fracassem, denunciar à cidade por violação constitucional.

O Departamento de Justiça se comprometeu a publicar as conclusões da investigação e assegurou que, se descobrir “padrões” racistas e violentos na polícia, pedirá a corte autorização para intervir à polícia e supervisionar as reformas que devem promover.

Este novo caso de suposta violência policial e racismo surge por conta da publicação de um vídeo no mês passado, no qual o jovem de 17 anos é visto correndo com uma faca, aparentemente fugindo de um grupo de policiais, quando é atingido pelo primeiro tiro.

Laquan McDonald recebeu 16 tiros disparados pelo policial branco Jason Van Dyke, de 37 anos, que foi acusado de homicídio em primeiro grau e que na semana passada saiu de prisão depois de pagar 10% da fiança de US$ 1,5 milhão fixada por um juiz federal.

O prefeito de Chicago, o democrata Rahm Emanuel, comemorou o anúncio da investigação e considerou muito importante assegurar a segurança da comunidade e garantir que o Departamento de Polícia tem “as ferramentas, os recursos e a capacitação necessários para ser eficaz contra o crime”.