Governo da Venezuela sufoca parlamentares, diz oposição

Apesar de controlar a maioria das cadeiras da Assembleia desde janeiro, os parlamentares da oposição não conseguiram ver entrar em vigência uma única lei

Venezuela – Não recebem salários, tiveram a energia cortada e as leis que promulgaram foram bloqueadas pela mais alta corte do país: assim é a vida de parlamentares venezuelanos.

Apesar de controlar a maioria das cadeiras da Assembleia Nacional desde janeiro deste ano, os parlamentares da oposição não conseguiram ver entrar em vigência uma única lei, obstruídos pelo tribunal supremo do país, que há dois meses declarou todos os seus atos inconstitucionais, acusando-os de “desacato”.

Muito além do conflito entre Poderes públicos, o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, restringiu o envio de recursos ao Congresso, denunciaram alguns parlamentares de oposição.

“Aqui não tem dinheiro para nada e isso é uma forma de destruir a democracia, porque o Parlamento é a expressão máxima da democracia de um país”, disse o deputado opositor Ángel Alvarado, que assegurou que parlamentares compraram com recursos próprios a tinta de impressoras.

“Estrangularam a Assembleia”, lamentou.

Este ano, os deputados que não vivem em Caracas tiveram que destinar seus salários para financiar a estadia na capital, pois não havia dinheiro para diárias, denunciaram. E já se vão dois meses que também não depositam salários.

O secretário da Assembleia Nacional, Rodolfo Marrero, admitiu que a presença de deputados de Estados distantes de Caracas está prejudicada pela limitada oferta de voos e a falta de verbas.

“Minha mãe me sustenta”

Na última semana, uma sessão do Parlamento teve de ser suspensa porque não se apresentaram nem 83, dos 167 deputados, quórum mínimo para que ocorram os debates.

Maduro reclamou há uns meses: “Eu fui deputado sete anos. Minha mulher foi presidente da Assembleia Nacional durante quatro anos e meio… e nunca, jamais suspendemos nossas sessões por falta de quórum.”

Segundo a parlamentar do Estado de Táchira Gabriela Arellano, “eles buscam o prático, o jurídico e tudo o que estiver ao alcance para paralisar este Poder”. “Agora que sou deputada, minha mãe tem que me sustentar.”