G-20: entre o discurso e a prática

Chegou ao fim mais um encontro do G-20. Uma vez por ano, há oito anos, as 20 principais economias do mundo se encontram numa cúpula que reúne 85% do PIB, 80% das trocas e 65% da população do planeta. Entre jantares, reuniões e fotografias, costumam não decidir nada de muito prático. Foi assim mais uma vez no encontro que terminou ontem, em Hangzhou, na Cjina. 

O evento deste ano, ao menos, serviu para deixar claro um medo comum: o avanço do protecionismo, influenciado por eventos como o Brexit, a saída britânica da União Europeia. Como nada foi resolvido, a questão deve ganhar ainda mais relevância nos próximos encontros. Quando os líderes voltarem a se encontrar em Hamburgo, na Alemanha, em setembro de 2017, a França pode ter Marine Le Pen como presidente – ela já prometeu tirar o país do bloco europeu na primeira oportunidade. Donald Trump pode estar sentado no salão oval, construindo seu muro com o México e rompendo relações comerciais com parceiros externos. O Brexit já deve estar mais encaminhado pela primeira ministra Theresa May.

Desde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, até o presidente chinês, Xi Jinping, passando por Theresa May o pedido de união foi enfatizado em Hangzhou. Eles afirmaram que é necessário angariar suporte para firmar acordos de comércio, por vezes impopulares, para melhorar a vida de cidadãos comuns.

Nesse jogo, o maior empecilho a uma união é o contraste entre o discurso e a prática. A China, maior defensora de abertura no G-20, está numa corrida para derrubar os preços globais do aço com superproduções internas. Nos Estados Unidos, Hillary Clinton, a sucessora ungida por Obama, não quer dar continuidade ao Tratado Trans-Pacífico. 

Ontem, o ministro das relações exteriores brasileiro, José Serra, criticou os países que pregam aberturas, mas impões barreiras. Ele ainda afirmou que é folclore essa história de que o Brasil é protecionista. De folclore em folclore, o Brasil, e o mundo, perdem ótimas oportunidades de avançarem juntos.