Facções palestinas se reúnem em Beirute para tentar reconciliação

Um membro do Conselho Nacional Palestino disse que o objetivo do encontro é resolver antes os problemas entre os grupos para chegar a uma reconciliação

Beirute/Ramala – Representantes de organizações palestinas, incluindo o movimento islamita Hamas e o nacionalista Fatah, se reuniram nesta terça-feira em Beirute para tentar pôr fim às diferenças e estabelecer uma estratégia comum.

O membro do Conselho Nacional Palestino Zuheir Natur disse à Agência Efe que o objetivo do encontro, que seguirá amanhã, é preparar uma reunião do órgão e resolver antes os problemas entre os grupos para chegar a uma reconciliação.

Em Ramala, o membro do Comitê Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mohammed Shtayeh, reforçou que os objetivos do encontro são a reconciliação e a implementação do que for acertado em Beirute.

“Pela primeira vez há um espaço para as organizações islamitas e também, pela primeira vez, todas as organizações que reconhecem a OLP como representante do povo palestino e não pensam em formar outra instituição”, afirmou Natur em entrevista à Efe.

O parlamentar não descartou que haja representação do Hamas e da Jihad Islâmica no novo Conselho Nacional Palestino.

Natur também prevê a inclusão de organizações pró-sírias, como a Frente Popular Para a Libertação da Palestina, uma concessão do Fatah.

Natur destacou o “ambiente positivo” do encontro e revelou que um dos temas discutidos foram as colônias de Israel nos territórios palestinos ocupados, o que classificou de uma tentativa de tornar a Cisjordânia judaica.

A reunião de amanhã terá como foco a formação do parlamento palestino, os mecanismos para levá-lo adiante e as facções que o integrarão.

Espera-se que o novo Conselho Nacional Palestino esteja estabelecido antes da próxima cúpula da Liga Árabe, prevista para ocorrer em 28 de março, na Jordânia.

Shtayeh enfatizou que as negociações entre os palestinos têm como objetivo conseguir unidade.

“Seguir vivendo na divisão entre Gaza e Cisjordânia, uma divisão geográfica, de instituições e na história política, não ajuda no diálogo sobre o status final”, avaliou.

Nas últimas conversas realizadas recentemente no Catar, houve consenso sobre a necessidade de formar um governo de unidade e de convocar eleições, completou Sthayeh, ressaltando a reconciliação entre as partes como ponto mais importantes antes de avançar sobre outros assuntos de interesse das organizações palestinas.

Hamas e Fatah mantêm uma divisão que vai além da territorial desde 2007, quando os islamitas assumiram o controle da Faixa de Gaza após expulsar as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e líder do Fatah, Mahmoud Abbas.

Desde então, o Hamas governa em Gaza e um Executivo leal à ANP e a Abbas lideram os palestinos na Cisjordânia.

As várias tentativas de reconciliação fracassaram até agora, criando uma situação que afetou negativamente aspectos fundamentais da vida dos palestinos como a convocação de eleições nacionais.

“É crucial estabelecer a união nacional e temos a esperança de que as facções que se reúnem em Beirute cheguem a um acordo. Os palestinos têm que trabalhar duro para consolidar suas aspirações”, afirmou Shtayeh.

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