Exaustão de águas subterrâneas ameaça 1,8 bilhão de pessoas

Até 2050, a superexploração para atender a indústria e a agricultura poderá esgotar reservas interias em várias partes do mundo

São Paulo – Maiores fontes de água doce acessível em todo o mundo, os recursos hídricos subterrâneos são de importância crítica para a irrigação e segurança alimentar global.

Nas próximas três décadas, porém, a superexploração para atender a indústria e a agricultura poderá levar à exaustão esses recursos em partes da Índia, do sul da Europa e nos Estados Unidos.

E quando isso acontecer, cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo poderão viver em áreas onde os níveis de água subterrâneos estarão totalmente esgotados ou próximos disso.

O alerta vem de uma nova pesquisa desenvolvida pela Universidade de Utrecht, na Holanda, e a Escola de Minas do Colorado, nos EUA, e apresentada neste fim de ano durante a Reunião de Cúpula da União Geofísica Americana de 2016.

Uma consequência direta do esgotamento das reservas subterrâneas é a redução dos fluxos de base para os rios e lagos, prejudicando assim todo o ciclo hidrológico. As áreas mais ameaçadas são aquelas fortemente irrigadas em climas mais secos.

De acordo com o estudo, os aquíferos dos Estados Unidos no vale central da Califórnia, na bacia de Tulare e no sul do San Jaquin Vale seriam os primeiros a se esgotar, já na década de 2030.

Aqueles no alto da bacia do Ganges na Índia seriam os próximos a sair de cena, entre 2040 e 2060, junto com algumas reservas na Espanha e Itália.

Em seguida, as reservas localizadas nas planícies altas do sul dos EUA, que fornecem água a partes do Texas, Oklahoma e Novo México, poderiam atingir seus limites entre 2050 e 2070.

O estudo destaca que as demandas de água vão aumentar ainda mais devido ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico e às mudanças climáticas, tornando a questão urgente.

Por isso, conhecer os limites dos recursos hídricos subterrâneos é um imperativo para garantir a sustentabilidade das atividades econômicas que dependem da água e a do próprio abastecimento para consumo humano.

O desafio é identificar e monitorar o risco de esgotamento em escala regional. Diversos estudos anteriores usaram dados de satélite para mostrar que vários dos maiores aquíferos do mundo estão em situação de atenção.

Mas esses estudos passados não conseguiram medir a depleção do aquífero em escala regional, ao contrário da nova pesquisa, que usou dados sobre a estrutura do aquífero, retiradas de água, e as interações entre as águas subterrâneas e águas circundantes para simular esgotamento em uma escala menor.

A equipe de pesquisa usou seu modelo para prever quando e onde os aquíferos ao redor do mundo poderão atingir seus limites, ou quando os níveis de água cairão abaixo do alcance das modernas tecnologias de bombeamento.

Os cientistas consideram que o limite de uma reserva foi ultrapassado quando os níveis de água subterrânea ficam dois anos consecutivos abaixo do limite de bombeamento.