Ex-diretor do FMI enfrenta justiça espanhola por desvios

Rodrigo Rato é acusado de "apropriação indevida" de mais de 12 milhões de euros entre 2003 e 2012, mediante uso de cartões bancários opacos

O ex-diretor-gerente do FMI Rodrigo Rato se sentou nesta segunda-feira no banco dos réus na Espanha por dirigir em sua breve atuação como banqueiro um “sistema corrupto” de desvio de fundos.

Ao chegar ao tribunal em San Fernando de Henares, a leste de Madri, Rato foi recebido a gritos de “ladrão” e “fraudador” por vários manifestantes que perderam suas economias em produtos tóxicos recomendados pela entidade que dirigiu, Bankia.

Rato, ex-ministro da Economia de 67 anos, entrou com uma pasta na mão e sem dizer nada no anexo da Audiência Nacional, a máxima instância penal espanhola, onde será realizado o julgamento contra ele e outros 64 acusados até dezembro.

Em um caso conhecido na Espanha como o dos “cartões black”, Rato é acusado junto a outros 64 ex-diretores do banco Caja Madrid e de sua entidade sucessora Bankia, que surgiu em 2011 da fusão de sete caixas de poupança.

São acusados de “apropriação indevida” de mais de 12 milhões de euros entre 2003 e 2012, mediante o uso de cartões bancários opacos com os quais financiaram sem limite nem controle fiscal grandes gastos pessoais.

A publicação dos detalhes destes gastos – joias, bolsas Louis Vuitton, festas em boates, viagens – provocou revolta em uma Espanha submetida a uma política de austeridade após o início da crise econômica em 2008.