Ex-diretor da CIA diz que Trump causará “dano profundo” aos EUA

Brennan se posicionou desta maneira em relação à resposta de Trump sobre os acontecimentos em Charlottesville

Washington – O ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, sigla em inglês) dos Estados Unidos, John Brennan, que ocupou o cargo durante o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017), opinou nesta quarta-feira que, com as suas “convicções”, o presidente Donald Trump causará um “dano profundo” à sociedade americana e à posição do país no mundo.

Brennan se posicionou desta maneira em relação à resposta de Trump para o ocorrido sábado em Charlottesville (Virgínia), onde um neonazista avançou com seu carro contra uma manifestação antirracista, matando uma mulher e ferindo em torno de 20 pessoas.

O presidente culpou os “dois lados” pelos incidentes e enfatizou que os grupos de esquerda também atacaram os integrantes dos coletivos de extrema-direita.

“As palavras de Trump, e as convicções que elas refletem, são uma desgraça nacional, e todos os americanos de consciência têm que repudiar esses comentários horríveis e perigosos”, disse Brennan em uma carta dirigida ao apresentador da emissora “CNN” Wolf Blitzer, que nasceu na Alemanha e explicou em uma transmissão do canal que os nazistas mataram seus quatro avós.

“Se lhe for permitido seguir por este caminho sem sentido, Trump causará danos profundos à sociedade americana e à nossa reputação no mundo. Com suas palavras e ações, Trump põe em grave risco a segurança nacional e nosso futuro coletivo”, acrescentou Brennan.

A reação de Trump à violência racista em Charlottesville e ao assassinato da mulher por parte de um neonazista gerou uma enxurrada de críticas ao presidente vindas de todos os setores da sociedade americana, inclusive dentro do próprio Partido Republicano.

Além disso, Trump acabou nesta quarta-feira com dois conselhos de assessoria econômica da Casa Branca formados por líderes empresariais, depois que vários de seus integrantes renunciaram nas últimas horas precisamente pela reação do presidente aos incidentes em Charlottesville.