Europa cria defesas para conter guerra de informações russa

Países europeus e a Otan estão criando centros para identificar "notícias falsas", aumentar as defesas cibernéticas e rastrear uso de mídias sociais

Berlim – Países da Europa, onde Alemanha e França realizam eleições neste ano, estão criando defesas para evitar que possíveis ataques cibernéticos russos e desinformação influenciem a política ocidental, mas especialistas de inteligência dizem que pode ser muito pouco e muito tarde.

A questão de “operações de influência” russas tomaram nova urgência após agências de inteligência dos Estados Unidos divulgarem uma avaliação não-classificada de que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma campanha para influenciar a eleição norte-americana a favor de Donald Trump.

Países europeus e a Otan estão criando centros para identificar “notícias falsas”, aumentar as defesas cibernéticas e rastrear uso de mídias sociais que têm como alvo comunidades de língua russa, grupos da extrema-direita, partidos políticos, eleitores e pessoas em posição de poder.

A Rússia nega guerra cibernética e campanhas na internet contra governos ocidentais.

Observadores do Kremlin dizem que afetar a eleição norte-americana poderia recompensar Moscou, enquanto as recompensas não seriam tão altas nas eleições da Alemanha e França.

Autoridades da inteligência alemã, no entanto, dizem que há apoio russo para partidos eurocéticos e anti-imigração na Alemanha e dentro da União Europeia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que não poderia descartar interferência russa na eleição deste ano.

O ministro da Defesa da França, Jean-Yves le Drian, foi na mesma linha.

“Não podemos excluir que operações da mesma natureza vistas nos Estados Unidos buscam desorientar o sistema eleitoral francês”, disse Le Drian, em entrevista recente. “Peço que todos estabeleçam a maior vigilância.”

Uma autoridade sênior da União Europeia, que pediu para não ser identificada, disse não haver dúvidas de que Moscou irá apoiar partidos da extrema-direita e populistas nas eleições na Europa em 2017.

A autoridade citou o retumbante “Não” dado ao tratado de associação planejada da UE com a Ucrânia em votação holandesa.

“Vemos ataques de desinformação antes de toda eleição que é do interesse do Kremlin”, disse uma segunda fonte da UE. “Muito frequentemente o voto que se segue… se torna favorável ao Kremlin.”