EUA enfrentam pressão para esclarecer posição sobre Síria

Donald Trump repetiu em várias ocasiões que a luta contra o EI era sua prioridade, mas países ainda tentam definir rumos da administração

Os países que apoiam a oposição síria se reuniam nesta sexta-feira à margem do G20 de Bonn para unificar posições e tentar esclarecer a posição americana, a poucos dias da retomada das negociações de paz em Genebra.

Trata-se do primeiro encontro deste grupo (uma dezena de países ocidentais e árabes, assim como Turquia) à rebelião desde que o presidente Trump entrou no cargo, há quase um mês.

Mais uma vez, o secretário de Estado americano Rex Tillerson será o centro das atenções, com seus sócios preocupados em entender o posicionamento da nova administração neste complexo conflito.

“Sobre a luta contra o Daesh (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico) estamos tranquilos, os compromissos americanos permanecerão. Mas no aspecto político, não sabemos qual é a sua postura”, resumiu um diplomata francês de alto escalão.

Donald Trump repetiu em várias ocasiões que a luta contra o EI era sua prioridade, e exigiu do Pentágono uma nova estratégia até o fim de fevereiro.

Mas “os americanos se darão conta progressivamente de que a luta contra o Daesh também implica tomar decisões na região e uma visão de longo prazo” prossegue o diplomata.

Outro país que também deve se posicionar é a Turquia, que intervém militarmente no norte da Síria.

Apoio da rebelião e inimiga jurada do presidente Bashar al-Assad durante anos, nas últimas semanas a Turquia se aproximou da Rússia, principal aliada do regime.

Ancara promoveu junto a Rússia e Irã um cessar-fogo na Síria e um processo de negociação no Cazaquistão que não alcançou grandes avanços até a data.

“Precisamos de unidade para conseguir retomar as negociações em Genebra”, insistiu na quinta-feira o chefe da diplomacia alemã, Sigmar Gabriel.

“Nosso objetivo é garantir que o processo de paz volte a ficar sob o controle da ONU”, insistia um diplomata europeu.

As sessões de negociações anteriores em Genebra em 2016 fracassaram devido à violência em terra e ao imenso abismo entre os beligerantes sobre a transição política e o destino do dirigente sírio.