EUA e UE defendem aumento da presença da OSCE na Ucrânia

Seis líderes "confirmaram o papel essencial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para garantir o acompanhamento do processo de Minsk"

Kiev – Barack Obama, François Hollande, Angela Merkel, David Cameron, Matteo Renzi e Donald Tusk prometeram uma “reação forte” do Ocidente em caso de “grande ruptura” do cessar-fogo no leste da Ucrânia e defenderam o reforço do papel da OSCE para monitorar a trégua.

A convergência de posição aconteceu em uma teleconferência, mais cedo nesta terça-feira, entre os presidentes francês, François Hollande, e americano, Barack Obama; a chanceler alemã, Angela Merkel; os primeiros-ministros britânico, David Cameron, e italiano, Matteo Renzi; além do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk – anunciou o Palácio do Eliseu em nota divulgada hoje.

“Eles concordaram em que uma reação forte da comunidade internacional pode ser necessária, em caso de uma grande ruptura no processo de implantação das medidas adotadas em Minsk”, acrescentou a Presidência francesa.

O Eliseu acrescentou que “os dirigentes deram seu pleno apoio ao pacote de medidas adotado em Minsk, em 12 de fevereiro, e confirmaram sua unidade de ponto de vista sobre os meios para resolver a crise no leste da Ucrânia”.

“Além disso, os dirigentes continuarão a dar seu apoio aos esforços investidos pelas autoridades ucranianas para recuperar a economia do país”, completou o comunicado.

Sem fazer uma referência direta, a ameaça se dirige diretamente à Rússia. Moscou é acusada por Kiev e pelos países ocidentais de armar os rebeldes e de enviar forças regulares à Ucrânia.

Enquanto Moscou nega as acusações de forma categórica, vários veículos de comunicação desse país vêm publicando, nas últimas semanas, entrevistas de soldados russos que combatem na Ucrânia.

Segundo o Palácio do Eliseu, os seis líderes “confirmaram o papel essencial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para garantir o acompanhamento do processo de Minsk” – principalmente no que se refere “ao respeito do cessar-fogo e à retirada de armas pesadas”.

“Eles querem o reforço dos recursos da OSCE nesse sentido”, afirmou o comunicado.

Ao menos 520 observadores da OSCE estão na Ucrânia no momento. Para ampliar seu número no terreno, é necessário um novo mandato da organização internacional.

O chefe do Estado-Maior conjunto americano, general Martin Dempsey, defendeu nesta terça-feira a entrega de armas à Ucrânia com base no apoio concedido pela Otan.

“Acredito que deveríamos analisar a entrega” de armas à Ucrânia, e “isto deveria ocorrer com base no apoio da Otan”, declarou Dempsey em depoimento na comissão das Forças Armadas do Senado.

Até o momento, os Estados Unidos entregaram equipamentos militares “não letais” à Ucrânia, como lentes de visão noturna e radares.

Ucrânia receberá observadores

Mais cedo nesta terça, a presidência ucraniana anunciou que França, Rússia, Ucrânia e Alemanha concordaram em enviar observadores da OSCE para pontos críticos do “front” no leste da Ucrânia, onde foram constatadas violações da trégua.

Essa decisão foi tomada em um telefonema na madrugada de hoje entre Merkel, Hollande, e os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Poroshenko.

“Os interlocutores apoiaram a proposta ucraniana de enviar observadores da OSCE para todos os pontos onde o cessar-fogo foi violado, começando por dez localidades” das regiões de Donetsk e Lugansk – uma das quais está sob o controle dos separatistas pró-russos.

Embora as autoridades alemãs, francesas e russas tenham informado sobre essa conversa em seus respectivos comunicados, não mencionaram o acordo para a mobilização de observadores nos pontos críticos proposta por Kiev.

Os quatro dirigentes “concordaram em que a OSCE deve ter um papel ainda mais importante na vigilância do cessar-fogo e na retirada das armas; e solicitaram que a OSCE publique um relatório diário sobre os trabalhos em curso”, indicou o porta-voz de Angela Merkel, Steffen Seibert, em um comunicado.

A situação na Ucrânia experimentou avanços, mas ainda deve ser melhorada, disse a presidência francesa.

Segundo as agências de notícias russas, na teleconferência Merkel sugeriu organizar uma reunião de vice-ministros das Relações Exteriores na sexta-feira, em Berlim, para avançar na aplicação dos acordos de paz.

Otimismo prudente

Já o presidente Poroshenko alertou contra o “otimismo prematuro”.

“Nem a contenção total e durável dos disparos por parte dos rebeldes, nem a retirada de suas armas pesadas aconteceram ainda”, reclamou, em conversa nesta terça com o presidente do Conselho Europeu.

No mesmo tom, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Pavlo Klimkin, manifestou hoje suas dúvidas quanto a um cessar-fogo duradouro no país.

“Segue existindo um problema de falta de confiança nas relações entre Ucrânia e Rússia. Realmente não podemos contar com os acordos assinados com os russos”, alfinetou, durante uma visita a Tóquio.

O cessar-fogo está em vigor na Ucrânia desde 15 de fevereiro, mas Kiev e os rebeldes pró-russos se acusaram mutuamente de violá-lo. Os separatistas chegaram inclusive a conquistar a cidade estratégica de Debaltseve poucos dias após sua entrada em vigor.

Há alguns dias, o Exército ucraniano denuncia, sobretudo, a concentração de tropas inimigas e o sobrevoo de “drones” na região de Mariupol.

Segundo as forças ucranianas, combates esporádicos voltaram a ser registrados no leste do país. No conjunto do território, porém, a situação segue tranquila.

“As posições ucranianas foram alvo de disparos em 22 ocasiões nas últimas 24 horas”, indicou na manhã desta terça o porta-voz militar ucraniano Vladislav Seleznev.

De acordo com Kiev, três soldados foram mortos, e nove ficaram feridos nas últimas 24 horas.

Em meio a esse contexto ainda instável, algumas lideranças ocidentais já anunciaram sua ida a Kiev.

O italiano Matteo Renzi deve chegar na quarta-feira à capital ucraniana, véspera de sua visita a Moscou. Até o final desta semana e em dias separados, chegam o subsecretário de Estado americano, Antony Blinken, e o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond.