Espanhóis protestam contra cortes no ensino público

Muitos deles, vestidos com camisas verdes, exibiam cartazes com as inscrições: "Educação Pública de todos, para todos"

Madri – Milhares de pessoas, entre professores, pais e estudantes, protestaram nesta quinta-feira em toda a Espanha, principalmente em Madri e Barcelona, contra os cortes nos gastos com o ensino público realizados pelo governo de direita.

Muitos deles, vestidos com camisas verdes, exibiam cartazes com as inscrições: “Educação Pública de todos, para todos”. Os manifestantes, incluindo pais que acompanhavam seus filhos, marcharam pelo centro de Madri até o Ministério da Educação.

Os sindicatos de professores e os estudantes convocaram para esta quinta-feira um dia de greve no ensino contra os cortes e a proposta de reforma da educação. O movimento teve a adesão de 20% de alunos e mestres, de acordo com o governo, e de 70%, segundo os sindicatos.

“Temos um orçamento reduzido e querem reduzi-lo cada vez mais. Há cada vez menos professores e cada vez mais alunos”, testemunhou Fernanda Gonzalez, professora de inglês, de 39 anos.

A proposta de reforma do ministro da Educação, José Ignacio Wert, prevê a possibilidade de aumentar o número de alunos por turma e reforçar o peso do espanhol sobre outras línguas faladas nas regiões.

“Wert, renuncie!”, gritavam os manifestantes reunidos em frente ao Ministério da Educação.

Envolvido em um esforço sem precedentes para sanear as contas públicas do país, o governo de Mariano Rajoy, que assumiu o poder no final de 2011, tem praticado cortes nos orçamentos dos ministérios. O da Educação foi reduzido em 14% entre 2012 e 2013.

No total, o governo espera uma redução de três bilhões de euros por ano em gastos com educação, setor em que o orçamento é gerido pelas regiões autônomas, o que requer grandes esforços.

Esses cortes, assim como a futura lei, colocam em risco o sistema de educação pública, de acordo com os sindicatos.

“Enquanto tenta aprovar a reforma, o governo cortou 60.000 postos de professores e sobrecarregou turmas, impossibilitando uma educação pública de qualidade”, afirmou Tojil Delgado, representante da União dos Estudantes.