Falta de preservativos dificulta luta contra Aids na Índia

A Índia fornece preservativos gratuitos no âmbito do seu programa de prevenção da Aids para comunidades consideradas grupos de alto risco, como as prostitutas

Nova Délhi – A profissional do sexo indiana Shaalu está usando menos preservativos quando se encontra com clientes em Nova Délhi, não por opção, mas porque a escassez de financiamento e atrasos no fechamento de contratos do programa governamental de prevenção do HIV/Aids têm prejudicado o fornecimento gratuito de camisinhas.

“Agora estou com mais medo do HIV”, disse Shaalu, de 32 anos, que mantém com frequência relações sexuais inseguras, já que preservativos gratuitos são escassos e ela precisa muito de dinheiro para quitar uma dívida de 4.500 dólares.

A Índia fornece preservativos gratuitos no âmbito do seu programa de prevenção da Aids para comunidades consideradas grupos de alto risco, como as prostitutas.

Essa estratégia, na estimativa do Banco Mundial, ajudou a evitar 3 milhões de infecções pelo HIV entre 1995 e 2015.

Mas os dados do governo divulgados na semana passada mostraram que cerca de dois terços das 31 unidades públicas voltadas para a Aids na Índia tinham um estoque de preservativos para menos de um mês. Alguns Estados possuem apenas o suficiente para alguns dias.

Suprimentos confiáveis ​​são fundamentais para o combate à disseminação do vírus. Especialistas temem que a escassez possa levar a mais sexo inseguro e ao aumento de infecções, especialmente entre os pobres.

O vírus da imunodeficiência humana (HIV), que causa a Aids, pode ser transmitido através do sangue, do leite materno ou em relações sexuais desprotegidas.

A infecção incurável matou 130 mil pessoas na Índia e 1,5 milhão em todo o mundo em 2013, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Não ter o único método de barreira à disposição de quem precisa é catastrófico”, disse Mona Mishra, uma ativista que dirige a campanha nacional Momentum AIDS.

A escassez surgiu depois de o primeiro-ministro Narendra Modi cortar em 20 por cento, em fevereiro, o financiamento federal para os programas voltados à Aids.