Errei ao jurar vingar sua morte, diz filho de Pablo Escobar

Marroquin tomou conhecimento da morte do pai por um jornalista. Imediatamente, na televisão ao vivo, diante do país inteiro, ele jurou vingar a morte de Escobar

Sebastian Marroquin nasceu em Medellin, na Colômbia, em 1977. Ele é o filho mais velho de Pablo Emilio Escobar Gaviria, o mais famoso chefão do narcotráfico na história da Colômbia e, possivelmente, do mundo.

Escobar morreu em dezembro de 1993, depois de ser perseguido pela polícia pelas ruas de Medellin, capital da província colombiana de Antioquia. Oficialmente, foi morto por soldados colombianos, mas ainda persistem teorias segundo as quais ele teria sido assassinado por membros de um cartel rival que colaboravam com agentes antinarcóticos.

Marroquin tomou conhecimento da morte de seu pai por um jornalista. Imediatamente, na televisão ao vivo, diante do país inteiro, ele jurou vingar a morte de Escobar. Vou matar todos esses filhos da puta, ele disse na época. Eu mesmo vou matar todos eles.

Marroquin tinha 16 anos quando o pai dele morreu, levando muitas pessoas a especular que ele se tornaria seu sucessor. Na verdade, testemunhas passadas já disseram que Marroquin estava se preparando para assumir as responsabilidades de seu pai.

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Você poderia ter feito o que ameaçou fazer?

Sim, não tenho dúvida alguma. Acho que é por isso que as pessoas começaram a perceber que, como minha irmã, eu sou responsável por meus atos, e não pelos atos de meu pai.

Além dos sentimentos ambíguos que eu possa ter tido, hoje não falo com promessas – falo com fatos. Nos casos em que respondi pelos atos de meu pai, foi no contexto da busca por reconciliação. Assumo a responsabilidade moral pelos crimes dele porque não há mais ninguém que possa fazê-lo e porque acho que é responsabilidade minha fazê-lo. Sou um homem de paz, e isso pode ser averiguado. Se não fosse, eu estaria morto.

Você já disse no passado que a reconciliação geralmente não faz parte da cultura colombiana. Em seu livro, você diz que pôde salvar sua vida porque você e sua mãe fizeram as pazes com outros cartéis. A Colômbia acaba de encerrar efetivamente outro conflito, firmando um tratado de paz com os rebeldes das Farc. Baseado em sua experiência, o que você acha desse processo?

Não posso falar especificamente dessa paz porque não a conheço tão bem quanto aquela que eu tive que negociar, mas a paz da qual posso falar é aquela que fizemos com todos os cartéis de drogas colombianos. Com base nessa experiência, acredito que os colombianos sejam capazes de fazer a paz. Mesmo as pessoais mais cruéis acabam se cansando de violência e guerra.

Negociamos a paz sob condições totalmente desiguais e totalmente desfavoráveis para nós, mas, mesmo sob circunstâncias tão adversas, valorizamos a paz que conquistamos e chegamos à conclusão de que ela parece bobagem, mas não é. A paz sempre custará pouco, não importa o preço que você pague por ela.

É isso que os colombianos não entenderam. O enorme significado da paz, a dimensão dela, o que significa para um país crescer, viver e desenvolver-se em paz. Estamos matando uns aos outros há 50 anos ou mais. A reconciliação não consta do vocabulário colombiano, não faz parte de nossa cultura. Haverá milhares de argumentos contra o processo, mas fazer a paz não é fácil. A guerra é para os covardes; a paz é para quem tem coragem.

Existem muitas lendas em torno de seu pai. As pessoas falam em seus estoques de dinheiro escondidos, em uma fortuna enterrada, nas circunstâncias da morte dele e de coisas excêntricas que ele comprou com seu dinheiro. Qual é uma de suas histórias favoritas?

Já ouvi tudo sobre ele. As acusações mais improváveis e as mais dramáticas, mas também as que são verdade. A história que eu mais gosto é que ele ainda está vivo. Ele deve estar com Elvis, dizendo: Toque uma canção para mim. Cante para mim.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Espanha e traduzido do inglês.