Eletrosul começa construção de seu 1° parque eólico no RS

Estatal já tem outro projeto para a mesma região e deve disputar o próximo leilão de energia, marcado para agosto

São Paulo – Fonte alternativa e limpa que mais cresce no mundo, a energia eólica é agora a nova aposta dos pampas gaúchos. A Eletrosul, concessionária de serviços públicos de transmissão e geração de energia elétrica, inicia nesta sexta-feira (18) a construção das primeiras usinas eólicas da empresa. O Complexo Eólico Cerro Chato será erguido na cidade de Sant´Ana do Livramento, sudoeste do Rio Grande do Sul, divisa com a cidade uruguaia de Rivera.

O empreendimento, que faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é formado por três parques eólicos de 30 Megawatts (MW) cada e 45 aerogeradores, com torres de 108 metros de altura. Segundo o diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos Custódio, a energia produzida no parque eólico responderá por 8% do total gerado pela empresa, que também possui hidrelétricas. “Esse percentual representa o consumo médio de 160 mil residências”, diz. O prazo para entrada em operação comercial das usinas é julho de 2012.

Serão investidos R$ 400 milhões na obra, resultado de uma parceria formada pela Eletrosul (com participação de 90%) e pela empresa Wobben (10%), subsidiária no Brasil da alemã Enercon, líder mundial na produção de tecnologia para aerogeradores. Juntas, elas formaram a Eólica Cerro Chato S/A, responsável pela  implantação, manutenção e operação das usinas. Os contratos serão válidos por 20 anos, com uma previsão anual de receita permitida de R$ 38,9 milhões.

A empresa já tem outro projeto similar de parque eólico para a região (de 42MW) e deve participar do próximo leilão de energia, marcado para agosto. Hoje, o Brasil produz cerca 700 MW em parques eólicos – menos de 1% do total de energia gerada -, com usinas no sul, sudeste e nordeste. Segundo Custódio, os ventos do sul têm o mesmo potencial que os do nordeste, região com o maior parque eólico do país. “A diferença é que os ventos de lá são sazonais. Já os do sul, são mais constantes”, afirma. “É como se tivéssemos encontrado o pedacinho de uma grande mina [de vento]”. diz ele.

Em dezembro de 2009, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou o primeiro leilão de energia eólica, que alcançou um deságio médio de 21,49% em relação ao teto estabelecido que era de R$ 189,00. O lance ofertado pelo consórcio liderado pela Eletrosul foi de R$ 131,00 por megawatts/hora e representou um deságio de 31,7% – vencia quem oferecesse o menor preço.