Edimburgo reformulará pergunta de plebiscito

A Comissão Eleitoral considerou nesta quarta-feira a primeira proposta tendenciosa

Londres – O Governo escocês reformulará a pergunta do plebiscito sobre a independência da Escócia para que seja neutra, depois que a Comissão Eleitoral considerou nesta quarta-feira a primeira proposta tendenciosa.

A vice-ministra principal do Executivo autônomo, Nicola Sturgeon, indicou que serão aceitas todas as recomendações da Comissão, que hoje avaliou que a pergunta feita inicialmente pelo governante Partido Nacionalista Escoês (SNP) podia “incitar o voto ao sim”.

Sturgeon informou que se submeterá à aprovação do Parlamento de Edimburgo, encarregado de regular a realização do plebiscito em 2014, a pergunta sugerida pelo órgão eleitoral: “Deveria a Escócia ser um país independente? Sim ou Não?”.

Anteriormente, o ministro principal escocês e número um do SNP, Alex Salmond, tinha proposto perguntar: “O senhor está de acordo de que a Escócia deveria ser um país independente?”.

Após consultar a população, a Comissão Eleitoral escocesa estimou nesta quarta que essa formulação não era neutra, por isso que propôs a alternativa que finalmente foi aceita.

“Embora tenham reconhecido que nossa pergunta era clara e simples, aceitamos a mudança recomendada”, afirmou Sturgeon, que lembrou que o objetivo de seu Governo é que o esperado plebiscito seja “justo e transparente”.

Na sessão semanal de perguntas na câmara dos Comuns, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, também aplaudiu a mudança porque “havia uma preocupação com a tendenciosidade da pergunta”.

Cameron se compromteu a trabalhar com o Governo escocês para esclarecer o que significaria em efeitos práticos a independência da Escócia – outra recomendação da Comissão Eleitoral -, mas ressaltou que “não renegociará sua saída do Reino Unido”.


Na mesma linha, o ministro para a Escócia, Michael Moore, adiantou que em fevereiro apresentará um primeiro relatório sobre a posição da Escócia em relação com o resto do Estado britânico.

O comissário eleitoral, John McCormick, explicou que, após “ver a proposta da primeira pergunta”, tinha concluído que sua formulação poderia influenciar os indecisos.

Várias pessoas tinham observado – apontou – que a pergunta “O senhor está de acordo?” poderia induzir ao voto no sim. Por esse motivo, a Comissão propôs a formulação alternativa.

Paralelamente, o órgão achou que o eleitorado tem “uma ideia clara” de que “um país independente” significa se separar do Reino Unido, por isso que não é necessário concretizar esse aspecto, mas sim é preciso – assinalou – dar mais informação sobre o que acontecerá com o país se o “sim” ganhar.

A Comissão Eleitoral também estabeleceu os limites de despesa para cada partido durante a campanha para o plebiscito, que se baseará na proporção dos votos conquistados nas passadas eleições, nas quais o SNP ganhou por maioria.

O Governo de Salmond submeterá em março seu projeto de lei do plebiscito à aprovação do Parlamento autônomo, depois que há poucos dias a câmara dos Comuns aprovou traspassar a Edimburgo o poder para regular a consulta.


Cameron e Salmond já assinaram em outubro o Acordo de Edimburgo, que se fixava o plebiscito para a metade de 2014 e outorgavam ao Governo escocês as competências para organizá-lo.

A realização do plebiscito fez com que vários setores políticos do Reino Unido tenham iniciado campanhas a favor e contra da independência, a primeira liderada pelo partido de Salmond e a segunda, pelo ex-ministro trabalhista Alistair Darling.

Com a proliferação dos diferentes argumentos, e entre a incerteza sobre a pertinência à UE de uma Escócia independente, foi variando as intenções de voto.

Assim, a última pesquisa divulgada em 24 de janeiro constatou que o apoio à independência da Escócia caiu para 23%, o número mais baixo desde 2010, contra 32% que queria a indepedência em 2011.