É contrassenso guerra pela guerra, diz presidente colombiano

Entre os militares, alguns setores também fazem críticas ao processo e ao fim da guerra, que, em tese, diminuiria o raio de atuação do efetivo militar no país

Bogotá – O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse hoje (9) que é um “contrassenso fazer a guerra pela guerra” em resposta às críticas direcionadas ao processo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que vem recebendo dos ex-presidentes Álvaro Uribe (2002-2010) e Andrés Pastrana (1998-2002).

Sem dizer nomes, Santos disse que há ex-presidentes que se parecem com Calígula – terceiro imperador do Império Romano.

“Calígula gostava de fazer guerra, porque vivia da guerra, mas isso aqui não tem sentido. Temos que buscar a paz. É um mandato constitucional”, declarou durante uma palestra a altos oficiais das forças militares do país.

Santos questionou também os militares. “Se chegarmos ao fim do conflito e chegarmos a acordos em Havana, quem entrega as armas? Quem fica com as armas? E consequentemente, quem ganha a guerra?”, perguntou.

O Exército colombiano tem cerca de 500 mil homens. Entre os militares, alguns setores também fazem críticas ao processo e ao fim da guerra, que, em tese, diminuiria o raio de atuação do efetivo militar no país.

Santos também falou que, caso o processo fracasse, ele está “tranquilo”, porque manteve as operações militares e “não entregou um centímetro do território nacional à guerrilha e nem ofereceu vantagens militares”. “Pelo contrário, se chegarmos a um acordo de paz e as Farc decidirem entregar as armas, aí sim, teremos ganhado a guerra”, disse.