Duas pessoas morrem em greve na mina sul-africana de Amplats

A polícia achou nesta quinta-feira o corpo de uma das vítimas carbonizado, enquanto a outra morreu depois levar dois tiros

Johanesburgo- A greve na mina de platina de Amplats, próximo à cidade de Rustenburg, a 100 quilômetros ao noroeste de Johanesburgo, se deixou nesta quinta-feira duas pessoas mortas, confirmou a polícia sul-africana.

Segundo a fonte, a polícia achou hoje o corpo de uma das vítimas carbonizado, enquanto a outra morreu depois levar dois tiros.

“Tinha duas marcas de tiro e morreu no hospital”, disse à agência de notícias sul-africana “Sapa” o capitão Dennis Adriao, porta-voz policial da província Noroeste.

O veículo informou ainda sobre a descoberta de um cadáver carbonizado no assentamento mineiro de Nkaneng, próximo à mina de Amplats.

Além disso, Adriao afirmou que “a polícia prendeu 40 pessoas por desordem pública”, enquanto dois microônibus, que supostamente transportavam os trabalhadores da exploração de platina, foram tomados pelas chamas.

Os 400 mineiros que participavam da greve da Amplats foram dispersados pelas forças de segurança e os guardas privados da companhia mineira após os incidentes, apontou o porta-voz policial.

Os dados de hoje elevam para três as vítimas mortas registradas nas proximidades da mina de platina da Amplats desde que a greve ilegal começou, em 12 de setembro.


Os mineiros acusaram a polícia pela morte de um de seus colegas na semana passada após a realização de uma manifestação junto ao povoado mineiro de Nkaneng.

O Diretório Independiente de Investigação da Polícia (Ipid) informou no fim de semana passado sobre a abertura de uma investigação nas forças de segurança após achar indícios de que o homem poderia ter falecido como consequência da ação policial.

A companhia Amplats anunciou em 5 de outubro a demissão de 12 mil de seus 28 mil trabalhadores em suas explorações de Rustenburg, onde 80% do elenco pendurou as ferramentas.

A sangrenta greve na mina de platina da Lonmin em Marikana, em que morreram 46 pessoas, 34 delas por disparos da polícia, gerou uma onda de ações sindicais ilegais nas explorações mineiras da África do Sul, que se estenderam ao setor de transportes.

O massacre policial de Marikana fez a África do Sul relembrar os episódios mais violentos do apartheid, o regime de segregação racial imposto pela minoria branca sul-africana até 1994.

O governo estabeleceu uma comissão judicial de investigação dos fatos.