Consumidores estão menos preocupados com sustentabilidade

Congresso realizado no Rio de Janeiro debateu como preservar o planeta em uma economia que estimula cada vez mais as compras

São Paulo – O consumidor está menos preocupado com a sustentabilidade. Na medida em que aumenta renda e, consequentemente, o consumo, a preocupação com questões que contribuam para o bem do planeta diminui entre os brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional de Consumo Consciente 2012, divulgada pela Fecomércio-RJ, 37% da população não leva em conta a preservação ambiental no dia a dia. Em 2007, esse número era de apenas 26%.

Se antes 26% procuravam consumir produtos com menos impacto para o meio ambiente, hoje, somente 22% mantêm essa preocupação. Em 2007, 42% plantavam árvores ou cuidavam de jardins, contra os atuais 37% que mantêm esse costume. O levantamento aponta ainda que o brasileiro está deixando de fazer coisas simples, que além de preservar o ambiente contribuem para o próprio bolso.

Em 2007, 74% dos pesquisados se preocupavam em utilizar sobras de refeições para fazer uma nova refeição. Esse percentual caiu para 67% em 2012. Da mesma forma, no período anterior, 24% diziam lavar a calçada de casa com água de mangueira. O número subiu para 27% em 2012.

Até os hábitos de fechar a torneira para escovar os dentes e de apagar as luzes ao sair de um ambiente, que eram quase unânimes na última edição do estudo, realizados por 92% e 93% da população, respectivamente, foram deixados de lado por uma parte dos pesquisados nos últimos cinco anos, com índices que caíram para 89% e 91%, respectivamente.

Sustentabilidade nas empresas

Por outro lado, vem crescendo o número de empresas preocupadas com o desenvolvimento de ações voltadas para a questão socioambiental, ainda que não haja uma fórmula para se medir a sustentabilidade. Um dos exemplos é o Santander, que atua com projetos de empreendedorismo e formação de mão-de-obra. Atualmente, a companhia treina um grupo de 200 mil pessoas em idiomas estrangeiros para que possam atuar nos eventos esportivos que serão realizados no Brasil.


“Hoje, qualquer empresa de visão tem que ser sustentável. E esta sustentabilidade precisa também prever custos. Se uma empresa de energia, por exemplo, não coloca em sua previsão uma mancha no mar, não há como dar certo. A mensuração em todas as suas formas é fundamental”, explicou Marina Grossi, Presidente Executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), durante o Congresso Sustentável 2012, realizado ontem, dia 10, no Rio de Janeiro.

Mas como é possível para uma empresa vencer o desafio de produzir e ser ao mesmo tempo sustentável? Segundo os especialistas que participaram dos debates do Congresso, a resposta está no investimento em tecnologia.

“Podemos fazer isso através da inovação, investindo em tecnologia. Estamos falando em produzir mais com menos. O que se busca é colocar metas para encontrar resultados concretos nessa área. É preciso focar na sustentabilidade para pessoas”, disse Gianne Zimmer, Diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Vale.

Aumento da renda e do consumo

A renda do brasileiro cresce com a mesma velocidade que o consumo. Um levantamento feito por Marcelo Côrtes Neri, Chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, aponta que a classe AB expandirá 29% nos próximos três anos, enquanto a C terá um aumento de 11%.

Nos últimos oito anos, os índices chegaram a 54% de desenvolvimento na Classe AB e 46% na Classe C. Ainda de acordo com a pesquisa, até 2014, 74% da população das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste farão parte das Classes A, B e C.

Atualmente, o conceito de sustentabilidade deixa de ser apenas uma responsabilidade das empresas para ser também uma obrigação do consumidor. Com o avanço da tecnologia, cada vez mais produtos são lançados, com prazo de validade propositalmente curto, como os smartphones e tablets, cujas tecnologias são rapidamente superadas. Apenas dois em cada 10 brasileiros, entretanto, se preocupam em consumir produtos considerados sustentáveis.

“Com o crescimento do poder aquisitivo da população e o aumento da chamada Nova Classe Média o problema tende a ser maior. Não há como dizermos para estas pessoas que elas não podem consumir como nós consumimos. É preciso uma mudança no comportamento e isso só pode se dar a partir da educação”, afirmou o economista Sérgio Besserman, Presidente do Grupo de Trabalho da Prefeitura para a Rio+20.