Trump: a ameaça é real

Já não há um só democrata de juízo que não admita: o republicano Donald Trump pode, sim, se tornar presidente dos Estados Unidos. Hillary lidera a corrida pela margem mais apertada em meses: de 1,9 ponto percentual (45,4% a 43,5%). Ela ainda leva vantagem em estados-chave da campanha, e é exatamente aí que Trump concentra seus esforços. Hoje, ele vai hoje à Pensilvânia. Recentemente, esteve na Flórida, em Ohio e na Carolina do Norte. Hillary, vale lembrar, precisou reduzir o ritmo de campanha por problemas de saúde. 

As pesquisas mais recentes são especialmente preocupantes para Hillary pela falta de motivos óbvios a alavancar Trump. Nas três vezes anteriores em que ele encostou na corrida, foi por causa de eventos que o colocaram em evidência. Quando a campanha começou, no início de fevereiro, Trump foi bem no primeiro debate republicano e encostou em Hillary ainda em levantamentos preliminares — 47,5% a 44% para Clinton.

Na segunda quinzena de maio, quando os jornais apontavam sua iminente vitória nas primárias do partido, novamente as intenções se aproximaram, 43,8% contra 42,8%. Depois da convenção do partido Republicano, no final de julho, quando Trump inundou os noticiários e anunciou seu vice, ele esteve novamente perto — 44,5% a 43,4% para a democrata.

De lá pra cá, o desgaste diário tratou de rebaixá-lo novamente. Mas, nas duas últimas semanas, a diferença nas intenções de voto voltou a ficar cada vez menor. Ontem, o portal FiveThirtyEight, do estatístico Nate Silver, indicava que as chances do republicano de vencer eram 43,8% – um recorde em três meses. Silver é conhecido por ser infalível em suas previsões eleitorais.   

Na segunda-feira que vem, acontece o primeiro debate entre os presidenciáveis e o contraste desta eleição vai se mostrar ainda mais: agressividade contra racionalidade, instinto contra a experiência, a mentira deslavada contra o mistério. Qualquer um dos dois pode chegar à Casa Branca.