China mostra preocupação com declarações de Trump sobre Taiwan

Segundo o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, principal questão é "o respeito do princípio de uma só China"

A China está “gravemente preocupada” com as declarações do presidente eleito Donald Trump, que, neste domingo, ameaçou retomar relações com Taiwan, deixando de lado o compromisso de quase 40 anos dos Estados Unidos com Pequim, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa.

Se Washington romper o compromisso, “o saudável e estável crescimento da relação China-EUA, assim como a cooperação bilateral em grandes áreas estariam fora de questão”, advertiu o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores Geng Shuang.

“A questão de Taiwan afeta a soberania e a integridade territorial da China. Está ligada aos interesses fundamentais da China. O respeito do princípio de uma só China é a principal do desenvolvimento das relações China-EUA”, recordou Geng.

Em uma entrevista no domingo ao canal Fox, Trump ameaçou deixar de lado o “princípio de uma só China”.

A todo país que deseja estabelecer relações diplomáticas com a China, Pequim exige o reconhecimento deste princípio.

Isto impede qualquer independência formal de Taiwan, separada politicamente do continente desde 1949 e que Pequim deseja unificar com restante da China.

“Não entendo por que temos que estar atados a essa política, a menos que consigamos um acordo com a China sobre outros temas, incluindo o comércio”, disse Trump.

O presidente eleito já havia provocado o descontentamento de Pequim ao conversar por telefone em novembro com a presidente taiwanesa Tsai Ing-wen.

Um jornal chinês advertiu nesta segunda-feira o “ignorante” presidente eleito Donald Trump contra qualquer reconhecimento oficial americano a Taiwan.

“A política de uma só China não é negociável”, adverte um artigo, sem o nome do autor, publicado no site do jornal nacionalista chinês Global Times, que considera Trump “tão ignorante como uma criança” em termos de diplomacia.

Se o próximo presidente americano apoiar abertamente a independência de Taiwan e aumentar a venda de armas à ilha, Pequim poderia então passar a respaldar “forças hostis aos Estados Unidos”, adverte o artigo.

“Por quê não poderíamos respaldá-las ou vender armas secretamente?” questiona.