China critica fala dos EUA sobre sua presença na África

Porta-voz ressaltou que a China "espera que os EUA, o país mais desenvolvido do mundo, possam ter um papel maior no apoio ao crescimento das nações africanas"

Pequim – O Ministério das Relações Exteriores da China pediu ao governo dos Estados Unidos que apresente “uma visão mais racional e objetiva” sobre os investimentos chineses no continente africano, em resposta às palavras do presidente americano, Barack Obama, na recente Cúpula de Líderes Africanos de Washington.

“A política chinesa na África sempre esteve baseada na sinceridade, na amizade, no tratamento equitativo e nos benefícios mútuos”, destacou em comunicado a porta-voz da Chancelaria chinesa Hua Chunying, citada nesta quinta-feira pela imprensa oficial.

Hua fez essas declarações em resposta às alusões de Obama na cúpula, na qual o presidente americano afirmou que os EUA “não olham para a África somente por causa de seus recursos naturais”, algo que – segundo diversos analistas – foi uma crítica velada à crescente presença da China no continente africano.

“Não queremos apenas extrair minerais do solo para o nosso crescimento, queremos construir associações que gerem postos de trabalho e oportunidades para todo o mundo”, acrescentou Obama.

Hua, por sua vez, ressaltou que a China “espera que os EUA, o país mais desenvolvido do mundo, possam ter um papel maior no apoio ao crescimento das nações africanas”.

Acrescentou que “China e África têm um compromisso de longo prazo para uma relação estável e amistosa”, e que os investimentos do gigante asiático não visam apenas ao lucro econômico para as empresas chinesas, mas também a uma melhora econômica e social do continente africano.

Os observadores interpretaram a recente cúpula de Washington, que contou com a presença de 42 chefes de Estado do continente africano, como uma tentativa dos EUA de fazer um contraponto à crescente presença da China na África.

Pequim recebeu reuniões similares, as cúpulas sino-africanas nos anos de 2006 e 2012, como uma amostra de seu interesse no mercado desse continente e no aumento das relações bilaterais no eixo “sul-sul”.