Censo revela que Farc têm 10 mil membros – 8 deles brasileiros

Entre os estrangeiros, o grupo mais numeroso é o de venezuelanos, com 54 membros, seguido pelos equatorianos, com 16, e os oito brasileiros

Bogotá – As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) contam com 10.015 membros, sendo oito brasileiros de um total de 100 estrangeiros, que estão nas zonas de reunião ou em prisões da Colômbia se preparando viver na legalidade, segundo um censo socioeconômico divulgado nesta quinta-feira pela Universidade Nacional da Colômbia.

Entre os estrangeiros, o grupo mais numeroso é o de venezuelanos, com 54 membros. O segundo maior contingente é o de equatorianos, com 16, seguido pelo de oito brasileiros. Também há “um ou dois” cidadãos de Chile, Argentina, Holanda, República Dominicana, Panamá, Argentina e França, de acordo com o coordenador-geral do censo, Javier Jiménez.

O estudo, realizado em quatro semanas, foi recebido pelo diretor da Agência para a Reincorporações e a Normalização (ARN), Joshua Mitrotti, e pelo líder guerrilheiro Félix Antonio Muñoz Lascarro, conhecido como “Pastor Alape”. Eles vão utilizar o documento para concretizar as políticas de reincorporação dos insurgentes à sociedade uma vez terminado o conflito.

O censo abrangeu as 26 chamadas zonas transitórias de normalização (ZVTN) – onde já estão os ex-combatentes -, 38 prisões e nove casas de acolhimento para as crianças que estavam na guerrilha e faz parte do acordo de paz assinado entre as Farc e o governo da Colômbia.

Para Lascarro, o censo foi um “exercício bem-sucedido para o país”, e “a comunidade guerrilheira ficou satisfeita com o trabalho”. E de acordo com o reitor da Universidade Nacional da Colômbia, Ignacio Mantilla, os objetivos foram atingidos.

A contagem aponta que, dos membros das Farc, 55% são guerrilheiros, 29% são milicianos (colaboradores sem uniforme) e os 16% restantes estão presos.

Por escolaridade, foi estabelecido que 90% sabem ler e escrever, sendo que 57% têm formação primária, 21% cursaram o ensino médio, 8% têm formação técnica e 3% possuem curso superior.

O levantamento também mostrou que há 2.267 grávidas, das quais 77% faziam pré-natal. Por idade, notou-se que a gravidez é mais frequente entre as mulheres que têm entre 23 e 27 anos.

A pesquisa da Universidade Nacional da Colômbia descobriu ainda que 66% dos integrantes das Farc são pessoas da zonas rurais, 19% pertencem ao perímetro urbano e 15% são de uma mistura dos dois.

Quanto a moradia, 77% disseram ao pesquisador que não têm um lugar para morar, 12% manifestaram ter uma casa em uma zona rural, 7% disseram ter uma moradia perto da cidade e os 4% restantes afirmaram viver em um local povoado.

Conforme a contagem, dos 10.015 recenseados, 60% têm interesse em desenvolver projetos agropecuários em fazendas, 39% querem participar de programas de construção e melhoria de moradias, e o restante, atividades de construção e manutenção de estadas, escolas e postos de saúde.

Ao todo, 17% dos integrantes estão dispostos a realizar atividades de desativação de minas, 27% querem ser guardas florestais e 32% gostariam de participar de projetos educacionais.