CE quer lista europeia de paraísos fiscais em 6 meses

"Precisamos agora de uma verdadeira lista europeia baseada em critérios comuns", afirmou o comissário da CE

Bruxelas – O comissário europeu de Assuntos Econômicos e Financeiros, Pierre Moscovici, anunciou nesta quinta-feira que deseja ter uma lista europeia de paraísos fiscais nos próximos seis meses, após o escândalo aberto pelos vazamentos dos Panama Papers.

“Precisamos agora de uma verdadeira lista europeia baseada em critérios comuns. Peço aos países para pactuarem uma metodologia comum para a lista e a quero nos próximos seis meses, o mais tardar. Sejamos firmes com isso”, afirmou Moscovici em entrevista coletiva.

Ele disse estar “ultrajado e furioso” depois que milhares de supostos casos de evasão fiscal feitos através da criação de empresas em paraísos fiscais foram revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

Segundo ele, ainda que não se saiba qual parte destas atividades é ilegal, as considera “certamente imorais”.

“Em uma palavra: inaceitável. A quantidade de dinheiro, as jurisdições e os nomes associados são francamente chocantes. Os territórios não cooperativos são paraísos fiscais, temos que inclui-los em uma lista única europeia”, defendeu Moscovici.

De acordo com ele, também existe à possibilidade de estabelecer “sanções apropriadas”.

“As pessoas estão exaustas destas práticas degradantes e não quero dar agora a palavra aos populistas, as autoridades na Europa tem que aproveitar esta oportunidade para agir”, afirmou.

O ex-ministro francês lembrou que o Panamá só estava listado como paraíso fiscal por oito dos 28 estados-membros da União Europeia, o que segundo sua opinião “mostra que um enfoque comum é mais do que necessário”.

Ele lamentou que o Panamá tenha rejeitado manter uma conversa com a União Europeia sobre melhorar a cooperação em matéria fiscal, como já aconteceu com outros territórios como Andorra e Mônaco, e sugeriu que o governo panamenho reconsidere a postura.

Moscovici evitou comentar sobre “casos específicos” que aparecem nos documentos, como o da mulher do comissário europeu de Ação pelo Clima e Energia, Miguel Arias Cañete, mas garantiu que “caso seja revelado que violou leis europeias ou que há brechas, a CE não duvidará em atuar”.

Sobre os vários grupos políticos que exigem que Arias Cañete dê explicações à Eurocâmara, o comissário se limitou a dizer que “o parlamento dispõe de todas as estruturas e competências para trabalhar”.