Brexit: início das negociações com a UE

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia — processo conhecido como Brexit —, finalmente, vão começar. Após um ano do referendo que decidiu pela saída do bloco com 52% dos votos dos eleitores, nesta segunda-feira, o parlamento britânico dá início às conversas sobre como se dará o processo junto à Comissão Europeia, em meio ao caos político interno.

Incertezas não faltam. A própria decisão pelo Brexit foi uma surpresa, e não havia sido prevista pelos institutos de pesquisa. O primeiro-ministro David Cameron, do partido Conservador, havia feito campanha para a permanência junto aos europeus, e precisou deixar o cargo. Sua sucessora, Theresa May, assumiu a missão de tocar a saída, mas, ao convocar eleições legislativas antecipadas para arregimentar o parlamento e facilitar as tramitações, acabou perdendo a maioria do partido, no dia 8 de junho.

May vinha defendendo um Brexit rigoroso, sem meios-termos. A saída deveria ser completa, com regras severas de controle da imigração e desvinculação do mercado comum europeu — o que mudaria completamente a política de circulação e comércio praticada hoje no Reino Unido. Porém, com a derrota nas urnas, sua liderança foi posta em xeque, e membros do próprio partido Conservador já defendem sua saída do cargo para conseguir tocar de forma mais amena o processo.

O problema é que, agora, as negociações serão postas na mesa sem que nada tenha sido definido internamente. O plano de May para manter o cargo era fechar uma aliança com o Partido Unionista Democrático (DUP), mas a parceria não foi confirmada. Nem mesmo o discurso da rainha Elizabeth II na abertura do Parlamento dará a benção ao processo, uma vez que precisou ser adiado após o fracasso dos conservadores nas eleições. Desde que o Artigo 50, que dita os termos para o acordo, foi acionado, em março deste ano, o país precisa estar fora da União Europeia até março de 2019 — mas muita coisa ainda deve mudar na condução desse barco até lá.