Brasil em Cannes: crítica vs. público

O 69º Festival de Cannes, uma das mais respeitadas premiações do cinema, começa nesta quarta-feira. E o Brasil tem presença de maciça. Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, concorre à Palma de Ouro, principal prêmio do festival. Ele disputa com nomes de peso como o espanhol Pedro Almodóvar. Filmes brasileiros também estão no páreo nas competições de curtas, documentários e na Semana Crítica, dedicada a novos cineastas.
 
A última vez que o país havia disputado o prêmio principal foi em 2008, com Linha de Passe, de Walter Salles, em 2008. O último (e único) filme premiado no festival francês foi O Pagador de Promessas, em 1962. Segundo especialistas, os finalistas deste ano refletem a boa fase do cinema nacional, pelo menos aos olhos de críticos estrangeiros. Uma série de filmes brasileiros, como O Som ao Redor e Que Horas Ela Volta? tem conquistado prêmios importantes ao redor do mundo.

Em quantidade, o cinema brasileiro também vive um momento ímpar. Foram 128 filmes lançados no ano passado, ante apenas 14 em 1995. O problema é que o bom momento não tem trazido mais público. Os filmes nacionais foram responsáveis por apenas 12% da bilheteria em 2015, dentro da média dos últimos dez anos. Dos 173 milhões de espectadores, só 22,5 milhões prestigiaram produções nacionais. Os campeões de público continuam sendo os blockbusters americanos. Nesse quesito, a competição continua desigual.