Bovespa incentiva empresas a divulgarem Relatório de Sustentabilidade

Meta é disponibilizar ao público o banco de dados das empresas listadas brasileiras na Rio+20

São Paulo – A BM&FBovespa passa a recomendar que as empresas listadas indiquem, em 2012, no Formulário de Referência (item 7.8 “Descrição das relações de longo prazo relevantes da companhia que não figurem em outra parte deste formulário”), se publicam Relatório de Sustentabilidade ou documento similar e onde está disponível. Em caso negativo, devem explicar por que não o fazem.

A Bolsa acredita que a medida, intitulada “Relate ou Explique”, permitirá uma adesão progressiva das companhias à prática de reportar informações e resultados relacionados às dimensões social, ambiental e de governança corporativa. A meta é disponibilizar ao público esse banco de dados das empresas listadas brasileiras na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de julho. Realizado 20 anos depois da histórica Conferência do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, o evento terá como um dos temas principais a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

Para facilitar a adoção dessa medida por parte de empresas não familiarizadas com o assunto, a BM&FBovespa promoverá, nos dias 17, 19 e 20 de janeiro, workshops de capacitação para produção de relatórios de sustentabilidade. Os encontros serão organizados em parceria com a Global Reporting Initiative (GRI) – organização não governamental, com sede em Amsterdã, Holanda –, responsável pelas diretrizes mais utilizadas internacionalmente para a elaboração desses relatórios. A própria BM&FBovespa, em 2010, tornou-se a segunda Bolsa do mundo e a primeira das Américas a adotar o modelo GRI em seu Relatório Anual.

Movimento internacional

Ao recomendar o modelo “Relate ou Explique”, a BM&FBovespa contribui para reforçar um movimento crescente no mercado de capitais internacional. A publicação de relatórios de sustentabilidade ou similares por empresas de capital aberto foi adotada como critério de listagem, em 2010, pela Bolsa de Johannesburgo, na África do Sul. É também obrigatória para companhias listadas na França e na Dinamarca e para empresas de controle estatal na Suécia. Além disso, a Comunidade Europeia estuda essa regulamentação para colocá-la em prática por todos os estados-membros em 2012.