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Última atualização 29/05/2017 - 17:21 FONTE

Biodiversidade brasileira é 'caixa-preta' para governo e empresários

Falta de informação sobre a fartura biológica nacional pode atrasar transição do Brasil para a economia verde

São Paulo – Muito pouco se sabe sobre as riquezas da fauna e flora brasileiras e menos ainda se faz para conhecê-las e preservá-las. A conclusão, que soa como um alerta, é do Fórum Biodiversidade e a Nova Economia, organizado por EXAME, National Geographic Brasil, Planeta Sustentável e CEBDS, nesta  quinta (26), na Editora Abril, em SP, com a presença de executivos de gigantes nacionais como Petrobras, BNDES e Natura, além de representantes do Ministério do Meio Ambiente e especialistas.
 
Equacionar essa situação será a missão dos representantes de 193 países que se reunirão em outubro, em Nagoya no Japão , para a 10ª Conferência das Partes sobre Biodiversidade –  a COP 10. Espera-se que daí saia um plano estratégico de compromissos e metas pela preservação da riqueza biológica do planeta.
 
“Esse é um tema que entrou há pouco tempo na agenda política e econômica brasileira e mesmo assim, de maneira tímida e embrionária”, afirmou a secretária de Biodiversidade e Floresta  do Ministério do Meio Ambiente, Maria Cecília Wey de Brito. “A preservação é vista por muitos de nossos legisladores como um empecilho ao desenvolvimento”.
 
Uma discussão crucial, segundo a secretária, porém ignorada, diz respeito à repartição dos benefícios das empresas que trabalham com recursos genéticos da natureza. As empresas, diz ela, deveriam pagar pelos chamados serviços prestados pelo ambiente. E esse dinheiro iria para as comunidades que moram nos locais de onde são retirados os recursos naturais. 

“Mas como estamos, hoje, sem marcos regulatórios, fica difícil estabelecer políticas públicas”, destaca. “Precisamos de um arranjo institucional melhorado e o engajamento de empresas para liderar as discussões sobre biodiversidade no mundo e para transitar para a nova economia.”
 
Reflexo da perda da biodiversidade nos negócios
 
Como mensurar e mitigar os impactos causados pela atividade humana sobre meio ambiente e seus habitantes é hoje um dos principais desafios – ao lado das mudanças climáticas – rumo à chamada economia verde.
 
Segundo o relatório TEEB – A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para o Setor de Negócios, lançado no mês passado pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), mais da metade dos executivos da America Latina vê a diminuição das espécies como uma ameaça ao crescimento de suas companhias.
 
O estudo mostra também que 90% dos brasileiros estão interessados em saber o que as empresas têm feito em favor da biodiversidade. A perda da biodiversidade tem aumentado a demanda por produtos certificados numa média de 20% ao ano, disse o CEO da Phillips do Brasil, Marcus Bicudo. “Incorporar elementos sócio-ambientais no planejamento de negócios é o principal desafio de toda e qualquer empresa atualmente”.


Especialistas avaliam que as três mil maiores empresas do mundo gerem um impacto negativo sobre os ecossistemas equivalente a pelo menos 2,2 trilhões de dólares por ano. “Nós somos cegos pela busca de preço onde só existe valor”, afirmou o diretor de sustentabilidade da Natura, Marcos Vaz.

“Em 1998 escolhemos a valoração da biodiversidade como plataforma de expansão da empresa. Substituímos produtos de origem fóssil e hoje 80% da massa seca que a Natura produz vêm de recursos naturais renováveis”.  Segundo o executivo, a empresa de cosméticos também mantém acordo com comunidades locais da Amazônia para produção de castanha do Pará.

“Conhecemos bem a origem da nossa matéria prima e esses pequenos produtores tiram dessa parceria a sua renda”, disse. “Usamos as biodiversidade para continuar existindo. A nova economia será a única possível no futuro, e não haverá como existir sem gerar valor para a sociedade, respeitando e sabendo preservar os recursos da natureza.” 
 
Para tentar estimular metas e compromissos pró-biodiveridade dentro das empresas, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) prepara um relatório que será levado à COP-10. “Queremos mensurar os compromissos e estabelecer metas de preservação, aprofundando a contabilidade da biodiversidade dentro dos negócios”, disse Marina Grossi, presidente-executiva do CEBDS. A idéia é criar no futuro, junto com o World Business Council for Sustainable Development um registro público dessas práticas, à maneira do GHG Protocol, que divulga as emissões de gases efeito estufa de gigantes brasileiras.
 

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