Berlusconi mantém suspense sobre planos para 2013

Um líder parlamentar do seu partido disse na quinta-feira que Berlusconi será o candidato da centro-direita na eleição geral programada para o começo de 2013.

Roma – O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi não compareceu nesta sexta-feira a um comício no qual se aguardava que pudesse anunciar a intenção de tentar voltar ao cargo em 2013.

Um líder parlamentar do seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), disse na quinta-feira que Berlusconi será o candidato da centro-direita na eleição geral programada para o começo de 2013.

Mas jornalistas e cinegrafistas que se postaram num hotel de Roma à espera de um esclarecimento do próprio político ficaram frustrados.

“Eu lhes trago cumprimentos do presidente Berlusconi, que não pôde comparecer porque um compromisso o impediu de vir”, disse Angelino Alfano, secretário-geral do PDL, numa reunião de um pequeno grupo católico aliado do PDL.

Apesar das recentes especulações sobre um possível retorno, Berlusconi não fez declarações públicas sobre o tema e sua não-aparição no comício desta sexta-feira prolonga a incerteza sobre seu futuro político.


Uma pesquisa do instituto IPR publicada pelo jornal esquerdista La Repubblica previu uma derrota da centro-direita no ano que vem, com ou sem Berlusconi como candidato.

A aliança de centro-esquerda comandada pelo Partido Democrático teria 42 por cento dos votos, contra 30 por cento da coalizão do PDL, e 20 por cento do Movimento Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo.

Berlusconi foi primeiro-ministro da Itália em três ocasiões nos últimos 20 anos e deixou o cargo pela última vez em 2011 em meio a uma grave crise econômica e a escândalos sexuais e de corrupção.

Afastado do poder, ele tem assumido uma postura cada vez mais crítica às medidas de austeridade adotadas por seu sucessor, Mario Monti, e falou abertamente em abandonar o euro.

Na sexta-feira, a agência de qualificação de crédito Moody’s salientou a importância da próxima eleição italiana para o mercado financeiro, ao reduzir em dois níveis a nota da dívida soberana do país, e alertar para os riscos financeiros decorrentes da incerteza política.