Baton Rouge se despede de policiais em meio a tensão racial

Gavin Long, um veterano da guerra no Iraque, abriu fogo contra agentes da ordem no domingo, em frente a um posto de gasolina próximo à sede da polícia

A comunidade de Baton Rouge, capital da Louisiana, começou na noite de segunda-feira a se despedir com flores e vigílias dos três policiais mortos a tiros por um ex-marine negro que os atacou intencionalmente.

Gavin Long, um veterano da guerra no Iraque de 29 anos, abriu fogo contra agentes da ordem no domingo, em frente a um posto de gasolina próximo à sede da polícia de Baton Rouge. Três morreram e outros três ficaram feridos.

Na segunda-feira, no local do ataque se acumularam flores, balões e cartazes em homenagem às vítimas.

Sob um sol forte e com as roupas encharcadas de suor, os moradores de Baton Rouge se abraçaram para rezar em círculo pelos mortos.

Um pastor batista fez orações em voz alta e um ex-bombeiro disse ter viajado de Nova Jersey para dar consolo aos cidadãos de Baton Rouge.

“Precisamos nos unir”, disse Denise Leblanc, de 63 anos. “Nunca teria pensado que isso poderia acontecer aqui”.

Segundo as autoridades, Long planejou seu ataque e emboscou suas vítimas.

É o segundo ataque calculado contra as forças de ordem em 10 dias, depois do massacre de cinco oficiais em Dallas cometido por outro jovem negro reservista do exército.

Mas ainda não está claro se Gavin Long tinha as mesmas motivações que Micah Johnson, veterano da guerra no Afeganistão que atacou os agentes para vingar a morte de homens negros por policiais brancos.

“Não há dúvida de que estes oficiais foram assassinados intencionalmente”, declarou na segunda-feira o coronel Mike Edmonson, da polícia da Louisiana, em uma coletiva de imprensa.

“Não ia parar ali”, acrescentou o chefe da polícia, Carl Dabadie. “Não tenho dúvidas de que se dirigia à nossa sede (perto do local do tiroteio) e que pretendia acabar com mais vidas”.

A tensão racial é evidente nesta cidade da Louisiana, sobretudo desde que um policial branco executou à queima-roupa um homem negro, Alton Sterling, no dia 5 de julho.

“Sempre ocorreram tensões raciais em Baton Rouge”, disse à AFP Dawn Giran, uma professora de 47 anos que foi ao posto de gasolina prestar uma homenagem. “Só que estas tensões agora vêm à tona pela violência policial contra homens negros”, explicou.

No entanto, a polícia ainda não estabeleceu uma conexão entre a morte de Sterling e o ataque de domingo.

“Não descartamos nada”, disse Edmonson. “No entanto claramente o cenário mudou desde Dallas”.

Cidade dividida

A recente série de episódios de mortes de cidadãos negros por policiais nos Estados Unidos colocou em evidência a profunda divisão na sociedade pelos preconceitos raciais.

Os assassinatos de Sterling em Baton Rouge e de outro homem negro em Minnesota provocaram uma onda de protestos em todo o país contra os abusos policiais.

Cerca de 200 familiares, amigos e vizinhos de Matthew Gerald, um dos policiais abatidos, acenderam velas na noite de segunda-feira na igreja Healing Place.

A comunidade prepara uma série de missas e encontros comunitários ao longo desta semana, como uma caminhada interracial até o capitólio e uma marcha de bicicleta até a sede do destacamento policial.