Atiradora da Califórnia estudou em madrassa do Paquistão

Malik, de 29 anos, estudou no Instituto Al-Huda da cidade de Multan, que recebe mulheres de classe média que desejam se aproximar do islã

Tashfeen Malik, que, ao lado do marido, matou 14 pessoas na Califórnia na semana passada, estudou em uma madrassa para mulheres do Paquistão, informou à AFP uma de suas professoras.

Malik, de 29 anos, estudou no Instituto Al-Huda da cidade de Multan, que recebe mulheres de classe média que desejam se aproximar do islã, disse a professora, que se identificou como Muqadas.

“Era um curso de dois anos, mas ela não concluiu. Era uma boa garota. Não sei por quê foi embora, nem o que aconteceu”, completou.

Apesar do instituto, que tem unidades nos Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, não ter relações conhecidas com grupos extremistas, tem sido acusado de difundir uma ideologia próxima a dos talibãs.

Um diretor do Al-Huda não confirmou nem desmentiu a informação.

“Em todo caso, não temos nada a que ver com isto (o tiroteio) e não somos responsáveis por nossos estudantes”, disse.

Malik e seu marido Syed Farook, de 28 anos, provocaram um massacre em um centro social de San Bernardino (Califórnia) na quarta-feira da semana passada, um ataque reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

De acordo com a polícia, Malik, que tinha visto para morar nos Estados Unidos, mas passou longos períodos no Paquistão e na Arábia Saudita, pode ter radicalizado o marido.

Os investigadores tentam determinar se ela teve contato com islamitas radicais em alguns destes países.

Malik estudou na Universidade Bahauddin Zakariya de Multan entre 2007 e 2013 e, segundo ex-colegas, foi neste período que frequentou o Instituto Al-Huda.

“Pouco a pouco foi se tornando mais séria e estrita”, disse um estudante, que pediu anonimato, segundo o qual ela “mudou drasticamente”.

As autoridades do Paquistão prometeram atuar contra as escolas religiosas suspeitas de difundir o islã radical, mas suas tentativas esbarraram nos líderes religiosos que acusam o governo de atacar o islã.