Ataques xenófobos quase dobram em relação a 2015 na Alemanha

Polícia da Alemanha registrou 507 ataques de violência xenófoba contra refugiados entre janeiro e setembro deste ano, quase o dobro em relação a 2015

Berlim – A polícia da Alemanha contabilizou entre janeiro e setembro desde ano 507 atos de violência xenófoba no país, quase o dobro dos ataques registrados em 2015, um aumento que ocorre em meio aos inúmeros registros de agressões a refugiados.

A revista “Der Spiegel” divulgou neste sábado os números atualizados do Ministério do Interior sobre a violência racista na Alemanha, onde já foram registrados neste ano 78 incêndios criminosos e sete tentativas de homicídio contra refugiados.

Se incluídos os crimes de propaganda e incitação ao ódio, os casos de violência contra os solicitantes de asilo passam de 1.800.

Em uma resposta ao partido Os Verdes, o Ministério do Interior afirmou que a entrada de mais de 1 milhão de refugiados no país no ano passado reaqueceu a “retórica da resistência”, dando impulsos a grupos como o “Movimento da Identidade da Alemanha”.

A plataforma, seguida de perto pelos serviços de inteligência, foi ganhando apoios de antigos membros do ultradireitista Partido Nacional Democrático da Alemanha (NPD) e facções neonazistas.

As autoridades têm 20 ultradireitistas fichados como potencialmente perigosos em todo o país, um número “incompreensível” para Os Verdes diante da crescente violência e se comparado com os 520 islamitas registrados com a mesma qualificação.

“Há uma distância imensa entre a realidade dos ataques nos círculos de direita e o número do que estão realmente sob o foco”, advertiu uma das representantes do partido, Irene Mihalic.

Na semana passada, o governo da Alemanha alertou em um relatório anual sobre o estado da unificação do país que a paz social na região leste está em perigo por causa da crescente xenofobia, que está sendo reforçada devido à chegada em massa de refugiados.

A comissária do governo para os chamados novos estados federados, os surgidos após a queda do muro de Berlim, Iris Gleicke, pediu que as autoridades “atuem com decisão para garantir a paz social”.

“A extrema-direita, a xenofobia e a intolerância constituem uma ameaça muito séria para o desenvolvimento social e econômico nos novos estados federados”, afirmou.