Após mortes na França, medicamento “contra” câncer é analisado

Agência Nacional do Medicamento iniciou a investigação em setembro após um "pico de advertências" pela morte de mulheres tratadas para câncer de mama

Um total de 48 pessoas com câncer tratadas com docetaxel morreram nos 20 anos de comercialização deste produto na França, anunciou nesta quarta-feira a Agência Nacional do Medicamento (ANSM), que manterá a recomendação de evitar temporariamente seu uso para certos tipos de câncer de mama.

Esta decisão mostra que os riscos associados ao remédio “não são insignificantes”, embora o docetaxel continue sendo “um medicamento importante no tratamento contra o câncer”, que permitiu reduzir a mortalidade ligada a esta doença, ressaltou Dominique Martin, diretor geral da ANSM, contatado pela AFP.

O organismo lançou uma investigação de farmacovigilância em setembro após um “pico de advertências” pela morte de mulheres tratadas para câncer de mama.

As autoridades de saúde determinaram dois tipos de efeitos colaterais (colite e choque séptico) em pacientes que tomavam esse medicamento em qualquer uma de suas formas (Taxotere, da Sanofi, e genéricos).

Após revisar as incidências por seu uso em tratamentos para cânceres de mama, pulmão, próstata, estômago e vias aerodigestivas superiores desde o início da sua comercialização, em 1996, até 7 de fevereiro deste ano, “foram reportados 187 casos de colite ou de choque séptico, dos quais 48 levaram à morte” do paciente, concluiu a ANSM.

Apesar disso, “os óbitos são incomuns (1 para cada 10.000 pacientes) para um medicamento que permitiu reduzir a mortalidade em um grande número de cânceres”, ressalta a agência.

O diretor geral da ANSM acrescentou que estão sendo realizadas investigações complementares sobre a qualidade dos produtos.

À espera dos resultados de novas análises, “se mantém a recomendação de não utilização do docetaxel em cânceres de mama localizados, operáveis”, por precaução.

Em 10 de março, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) anunciou uma série de “análises preliminares” em nível continental que mostraram que “não existia um aumento da frequência do aparecimento de enterocolite neutropênica” (uma complicação digestiva que pode levar a perfurações no intestino) em pacientes tratados com docetaxel entre janeiro de 2015 e janeiro de 2017.