Anistia em Mianmar beneficia 30 presos políticos

No entanto, os Estados Unidos e organizações de direitos humanos criticaram a medida, que foi considerada insuficiente

Bangcoc – Ao menos 30 presos políticos foram beneficiados pela última anistia decretada pelo governo em Mianmar (antiga Birmânia) no 64º aniversário da independência do país, informaram nesta quarta-feira fontes da oposição.

Os presos políticos estavam em nove penitenciárias do país e o grupo mais numeroso, de dez pessoas, no presídio de Obo, na cidade de Mandalay, no centro do país.

A oposição democrática, os Estados Unidos e organizações de direitos humanos, no entanto, criticaram a medida, que foi considerada insuficiente.

‘Não é uma passagem da magnitude que gostaríamos de ter visto’, disse na terça-feira a porta-voz do Departamento de Estado americano Victoria Nuland, para quem sem a libertação de todos os presos políticos será difícil a normalização das relações.

David Mathieson, da ONG Human Rights Watch, opinou que a anistia ‘não é diferente das prévias nas quais milhares de presos foram libertados ou tiveram suas penas reduzidas e destes somente uma pequena parte era de ativistas políticos’.

As autoridades birmanesas aprovaram duas anistias em 2011, uma em maio que beneficiou 14.758, entre eles um grupo de presos políticos, e outra em outubro, que abrangeu 6.359 condenados, incluídos mais de 200 ativistas.

O número de presos políticos em Mianmar é incerto porque as autoridades só reconheciam no início de 2011 poucas centenas, enquanto a Liga Nacional pela Democracia (LND), o principal partido da oposição, tinha 600 em novembro.

A Associação de Assistência aos Presos Políticos de Mianmar oferece uma lista com 1.572 nomes. Mianmar passa por uma etapa de transformação em direção a uma sociedade mais aberta e plural após quase meio século submetida a regimes militares ditatoriais.