Alemanha diz que defenderá “honra” perante acusações da Turquia

O ministro da Chancelaria da Alemanha, Peter Altmaier, afirmou que a proibição aos comícios turcos seria "o último recurso"

Berlim – O ministro da Chancelaria da Alemanha, Peter Altmaier, condenou nesta segunda-feira as acusações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de que a chanceler Angela Merkel teria “agido como os nazistas” e assegurou que a “Alemanha tem sua honra e que esta será defendida”.

Em uma entrevista à rede de televisão “N24”, Altmaier reiterou a rejeição do Executivo alemão a qualquer comparação com o nacional-socialismo, mas não detalhou que resposta a Alemanha pode adotar e afirmou que a proibição dos comícios turcos na campanha pelo referendo constitucional seria “o último recurso”.

“Não permitimos que nenhum país, especialmente nossos aliados na Otan, ponham em dúvida nossos valores” democráticos, insistiu o ministro.

Em entrevista coletiva, a vice-porta-voz do governo, Ulrike Demmer, afirmou que o Executivo “observa com atenção” a evolução da retórica turca e voltou a tachar de “inaceitáveis” as comparações com os nazistas.

O porta-voz do Ministerio das Relações Exteriores alemão, Martin Schäfer, disse que entende o descontentamento da sociedade alemã com a Turquia, mas rejeitou que Berlim irá responder “com a mesma moeda” porque, segundo ele, quem se beneficia da escalada verbal entre os dois governos é Erdogan e sua campanha em favor de um sistema presidencialista.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia emitiu um protesto neste fim de semana à embaixada da Alemenha em Ancara depois que foram exibidos símbolos do Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK, sigla em curdo), a guerrilha curda, em uma manifestação em Frankfurt.

A polícia responsável de manter a ordem na manifestação investiga se vários participantes cometeram crime ao exibir esses símbolos e explicou que não agiu no momento para evitar distúrbios.

O porta-voz do Ministério do Interior, Tobias Plate, lembrou que o PKK está proibido na Alemanha desde 1993 e ressaltou que é a polícia quem avalia cada intervenção segundo os riscos para a segurança.

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