A voz decisiva do Paraguai

O Mercosul definiu que a Venezuela, país com a pior economia do mundo em 2015, será o próximo país a liderar o bloco sul-americano. Mas um integrante está se esforçando para impedir o novo comando: o Paraguai. O governo está tentando agendar uma reunião emergencial para amanhã e, caso o bloco não se reúna, o país já anunciou que vai barrar a troca de comando com boicote à cúpula no próximo dia 12, em Montevidéu.

Os paraguaios têm motivo se resignar: a economia do país está num momento excelente e deve ser fundamental para melhorar os resultados do bloco no fim do ano. O PIB paraguaio cresceu 1,5% no primeiro trimestre e deve crescer 3% até o final do ano e mais 4% em 2017. Os setores mais responsáveis pelo crescimento robusto são a agricultura, a construção civil e o setor de água e energia. Por outro lado, as atividades que demandam mais especialização, como a indústria, tiveram queda de 3,6%.

O banco central fez seu papel e reduziu as taxas de juros para 5,75%. Com a mudança, a inflação paraguaia deve subir um pouco, passando dos 3% do ano passado para 4,5% este ano. Bem melhor que seus vizinhos. O Brasil deve ficar com a inflação em torno de 7,2% e a Argentina, que chegou a atingir astronômicos 30% este ano, fixou a meta de 25% para ser alcançada até dezembro. As novas taxas de crescimento da economia paraguaia estão muito superiores às da região. De acordo com o FMI, a América Latina vai sofrer recessão este ano de 0,3%.

De acordo com o relatório Scenario Review – Paraguay: Sustaining growth, do Itaú, tanta fartura vem também de um pouco de sorte. Enquanto a Venezuela enfrenta uma das piores secas de sua história desde o começo do ano por conta do El Niño, o Paraguai passou o primeiro semestre com condições climáticas favoráveis. Excelente para a agricultura e a geração de eletricidade nas hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá. A estratégia do governo foi apostar na publicidade para atrair investimentos: energia farta, baixas taxas de impostos e mão-de-obra barata. O problema é que, no fim de semana, a seca começou a despontar na região do Chaco, na fronteira com a Argentina, e já secou o rio Pilcomayo, deixando peixes e jacarés mortos. Resta saber se a economia sobreviverá.