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Última atualização 24/05/2017 - 14:14 FONTE

Wall Street fecha ano de recordes e entra em outro de incertezas

Promessas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, despertam dúvidas entre os investidores

Nova York – Wall Street fechou um ano marcado por uma onda de recordes registrados nas últimas semanas, mas começa outro cheio de incertezas pelas dúvidas despertadas pelas promessas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em todo o ano, o Dow Jones Industrial, o principal indicador do mercado, subiu 13,4% e esteve muito perto de ultrapassar pela primeira vez a barreira psicológica dos 20.000 pontos, que escapou entre os dedos no último dia 20 de dezembro.

Nesse dia, o Dow Jones terminou com um recorde de 19.974,62 pontos. Sete dias antes, o seletivo S&P, o preferido por muitos operadores do pregão nova-iorquino, tinha alcançado a marca histórica vigente, de 2.271,72 pontos.

Além disso, o índice composto do mercado Nasdaq recuperou em 2016 as glórias que alcançou antes que explodisse a “bolha tecnológica”, no ano 2000, e não só retornou aos 5.000 pontos de então, mas atingiu um recorde de 5.487,44 pontos em 27 de dezembro.

Grande parte do último impulso recebido pelo pregão nova-iorquino esteve ligado ao triunfo do republicano Donald Trump nas eleições de 8 de novembro e as promessas que perfilou na campanha e as que veio antecipando desde então.

Trump prometeu reduções em impostos, revogação de regulações que acredita que se transformaram em dificuldades para a produção e um grande programa para investir em setores de infraestrutura, a fim de gerar crescimento.

“O ano de 2017 estará repleto de pirotecnia”, declarou Bob Pisani, que analisa diariamente o comportamento do pregão nova-iorquino para a emissora financeira “CNBC”.

Algumas dessas medidas demorarão a ter um impacto na bolsa, primeiro porque devem ser definidas em detalhes e, em alguns casos, têm que passar pelo filtro do Congresso dos Estados Unidos.

Por isso, os analistas sabem que, levando em conta que Trump chegará à Casa Branca no dia 20 de janeiro, pode passar o primeiro trimestre do ano sem que sua administração tenha conseguido iniciar algumas de suas propostas.

Umas foram recebidas com bom ânimo entre as empresas e os operadores das bolsas de valores, e outras, por outro lado, são vistas com receio.

Entre estas últimas se encontra a exigência de Trump que as empresas americanas deixem de fazer acrobacias contábeis além das fronteiras para pagar impostos fora do país, uma tendência que está se tornando a cada dia mais frequente.

Cálculos de analistas indicam que as corporações americanas registram fora do país anualmente lucros que alcançam US$ 3,5 trilhões.

Pelo menos 40% dessa quantia está concentrada em cinco empresas: Apple, Microsoft, General Electric, Pfizer e IBM.

Se Trump conseguir que parte desse dinheiro seja repatriado poderá aumentar os fundos do Tesouro para um plano extraordinário que, segundo suas promessas, procura investir US$ 1 trilhão em setores como a infraestrutura.

Cálculos mais conservadores da Goldman Sachs, no entanto, consideram que é razoável pensar em um estímulo federal de US$ 25 bilhões anuais, uma quantia que, quando somados os quatro anos de mandato de Trump, alcançam US$ 100 bilhões.

Além destas promessas, o pregão nova-iorquino está esperando para ver como se desenvolve o programa de redução tributária que Trump prometeu para as empresas e para a classe média.

“Há poucas dúvidas de que um contexto regulador reduzido e impostos reduzidos devem encorajar os espíritos animais das corporações”, afirmou o chefe de estratégia da bolsa do Citigroup, Tobias Levkovich.

Tudo isso em um momento no qual o Federal Reserve (Fed, banco central americano) decidiu atuar para elevar as taxas de juros de referência, com uma primeira alta em dezembro e outras três programadas para 2017, antecipando algumas das medidas prometidas por Trump.

Além disso, os Estados Unidos se encontram em uma etapa de fortalecimento de sua moeda, o que prejudica as contas de muitas empresas com alta exposição internacional, mas permite atrair capitais para o turbilhão do pregão nova-iorquino.

A incerteza sobre as futuras ações de Trump permitirá, pelo menos, ter claro o panorama para recuperar o ritmo de fusões que ficou congelado nos últimos meses até ver qual será o futuro cenário econômico.

“Não há dúvida de que um relaxamento fiscal será um estímulo para as fusões”, considerou o encarregado de fusões da Goldmand Sachs, Kurt Simon.

Art Cashin, um dos operadores mais veteranos do pregão da Bolsa de Nova York, acredita que as surpresas que a Bolsa de Valores dos Estados Unidos veio experimentando desde as eleições de 8 de novembro não terminaram ainda.

“Será preciso apertar os cintos pelos próximos dois meses”, finalizou Cashin.