Taxas futuras de longo prazo voltam a cair

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI com vencimento em abril de 2014 (35.515 contratos) apontava 10,570%, ante 10,554% no ajuste de ontem

São Paulo – A melhora de percepção em relação ao Brasil, após o governo ter anunciado nesta quinta-feira, 20, a meta fiscal para 2014, continuou tendo reflexos no mercado de juros, onde as taxas futuras mais longas caíram com intensidade. Em meio a isso, o recuo do dólar, que voltou para a casa de R$ 2,35, contribuiu para o movimento na renda fixa, ajudando na desinclinação da curva a termo.

Nesse ambiente, ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI com vencimento em abril de 2014 (35.515 contratos) apontava 10,570%, ante 10,554% no ajuste de ontem.

O DI para janeiro de 2015 (372.620 contratos) indicava 11,06%, de 11,04% no ajuste anterior. No trecho longo e intermediário da curva a termo, o DI para janeiro de 2017 (335.425 contratos) tinha taxa de 12,22%, ante 12,33% na véspera. O DI para janeiro de 2021 (34.095 contratos) estava em 12,79%, ante 12,89% no ajuste anterior.

O dólar à vista ante o real no mercado de balcão terminou com desvalorização de 0,76%, cotado a R$ 2,3560. De acordo com um operador, após a meta fiscal um pouco mais realista anunciada pelo governo, de 1,9% do PIB e com um corte de R$ 44 bilhões no Orçamento, houve um desmonte importante de posições compradas em dólar, o que tem favorecido o recuo da moeda.

Somou-se a isso os dados do setor externo. Apesar de o déficit em transações correntes do País ter atingido US$ 11,591 bilhões em janeiro, o maior em 34 anos, o número ficou abaixo da mediana encontrada em levantamento do AE Projeções (US$ 11,75 bilhões). Além disso, o IED surpreendeu positivamente e somou US$ 5,098 bilhões em janeiro, acima da mediana (US$ 4,0 bilhões).

Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em teleconferência com analistas internacionais para detalhar o corte no Orçamento e a meta fiscal de 2014, rebateu a avaliação de que o Brasil está no grupo das economias mais frágeis.

“Tenho visto várias análises equivocadas que colocam o Brasil como uma das economias mais frágeis. Os critérios utilizados para chegar a essas conclusões não foram os melhores possíveis. Há uma ênfase na volatilidade da desvalorização do real e, mesmo nesse item, há um equívoco”, afirmou.

Segundo ele, nos últimos seis meses, o real se valorizou 1%, enquanto várias outras moedas se desvalorizaram.

E para evitar uma frustração da meta fiscal, Mantega acenou, inclusive, com aumento de impostos este ano. Segundo ele, essa é uma espécie de reserva que o governo tem para ser usada, se for necessário, para melhorar a arrecadação. O ministro destacou ainda que a projeção de aumento de receitas é realista.

Por aqui, mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) subiu 0,70% em fevereiro, após avançar 0,67% em janeiro. O resultado superou a mediana das estimativas (0,67%) do AE Projeções, amparando um viés inicial de alta para as taxas futuras, que depois foi dissipado com o recuo do dólar.